Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Odeio gente sensível.
Esse pessoal sofre sem causa.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Educadora, para mim, é outra coisa

A polêmica do momento em Salvador é a demissão de uma professora primária cujas imagens, dançando num pagodão, estourou no Youtube escandalizando os pais dos alunos da escola onde ela ensinava.
É pra escandalizar mesmo! Não só pela dança vulgar e quase pornôográfica, cujo tema era "enfia tudo", como pelas letras mais do que vulgares, um acinte à dignidade feminina, a qual a professora parece não dar a menor importância. Ou melhor, nem saber o que isso quer dizer...
Pensei em colocar uma das letras dos "pagodes" aqui, mas achei que não valia a pena divulgar, mesmo criticando, algo de tão baixo nível.
Uma educadora deve saber a importância do exemplo que deve dar aos seus alunos. E escolher o que quer ser afinal: uma professora, uma dançarina de músicas pornográficas, um pintora, uma funcionária pública. ETC. Não dá para misturar papéis tão discordantes.
A demissão foi justa. Soube que a professora apareceu dando entrevista em rede nacional dizendo que aquela dança faz parte da cultura baiana. Absurdo!!! Que a "Jackie" siga o seu novo caminho, pose para a Playboy continue dançando como bem lhe aprouver, ou até volte a ensinar se escolher a postura que uma educadora deve ter. Penso que nenhuma mulher que tenha bom senso, ou se respeite, dançaria ao som de letras que as desqualificam e à todo o gênero feminino.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Não gostei da festa em Cachoeira este ano



Este ano resolvi curtir o meu aniversário, dia de Nossa Senhora da Glória, em Cachoeira, no recôncavo baiano, onde todos os anos a data é comemorada com uma grande festa pela Irmandade da Boa Morte, criada por ex-escravas no século passado, e mantida pelas suas descendentes.
A festa atrai turistas de várias partes do mundo, mas como se passa na Bahia acontecem coisas inesperadas e fora do roteiro. Como por exemplo duas faixas afixadas nos prédios da irmandade, recuperados pelo governo do estado, há quase 10 anos e que ainda se mantém em bom estado.
Eu e meus amigos ficamos boquiabertos e ao mesmo tempo em que achamos o fato muito engraçado, achamos despropositado e inconveniente para a ocasião que em tese
deveria ser de devoção à mãe de Jesus, e portanto cristã.
Uma das faixas raivosas dizia:"Sebastião Héber, a diocese disse que voce não é padre coisa nenhuma.Vá celebrar suas missas no quinto dos infernos". A outra, não gravei, mas seguia o estilo raivoso e acusava o dito Heber de ter escrito tres livros "fuleiros" sobre a irmandade para se locupletar.
Curiosa, perguntei a várias pessoas quem era esse tal de Sebastião. quase ninguém o conhecia. Por fim, uma senhora me disse que era um padre recém-chegado. Não vou tomar partido nessa briga, mas as faixas no prédio ficariam melhor se colocadas em outro lugar
Lembrei-me da frase do ex-governador Otávio Mangabeira, avô de Mangabeira Unger, sobre a nossa terra e que hoje está até se tornando repetitiva. "Pense num absurdo que na Bahia tem precedentes".
O rancor e o desrespeito aos visitantes da autora das faixas enfeiou a festa que não foi como a dos anos anteriores. E a continuar esse clima baixaria não deverá durar mesmo muito.

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

Trio Elétrico só no carnaval; e olhe lá!


Boa a iniciativa da Sucom de coibir a incivilidade em Salvador que nivela democraticamente ricos, pobres e remediados, brancos ,negros, e mulatos no desrespeito ao direito do próximo de viver pacificamente. Acho louvável,mas de pouco efeito o out-door colocado em vários pontos da cidade com a mensagem "Abaixe o som, aumente a paz". Onde os autores dessa mensagem pensam que estão? Na Europa?
Duvido muito que os motoristas, que fazem do som dos seus carros uma arma contra o bem estar da maioria dos soteropolitanos, se dê sequer ao trabalho de ler e interpretar o que o cartaz quer dizer. Prá começar, acho que além de já estarem surdos pelo altos decibéis a que estão acostumados, provavelmente não primam pela inteligência e não seriam capazes de dizer, por exemplo, qual a cor do cavalo branco de Napoleão.
Quem anda com o som estridente no carro causando incômodo e mal-estar por onde passa não pode, ao meu ver, ter sido beneficiado com uma boa quantidade de massa cinzenta.A barulheira é para evitar que sintam o vazio das suas mentes.
Se eu fosse o autor do out-door teria feito algo mais agressivo que lhes chamassem a atenção tipo uma foto-montagem de um carro com caixas de som bem grandes e um enorme X em cima com a frase "Trio Elétrico só no carnaval". Ou " Se você quer aparecer melhor botar uma melancia no pescoço e se vestir de Carmem Miranda."
Para esse tipo de gente propaganda educada não resolve.
Não chega até eles, sabem?

Sábado, Agosto 01, 2009

Chávez e a obrigatoriedade do diploma

A América Latina e suas ditaduras....
Porque acho que agora ninguém tem mais dúvidas que o companheiro Chávez é o que sempre pareceu ser aos menos românticos : Apenas um ditadorzinho fanfarrão? Prá mim toda ditadura, se diga de direita ou de esquerda, é uma forma de se locupletar e garantir o poder com menos esforço.
Afinal, democracia, discussões, debates, prá que essas coisas???Vamos manter os currais com os bois dentro. Bem trancados e sem chances de escapar.Tem coisa melhor do que se perpetuar (e aos seus) no poder?
Evidentemente, que essas coisas também acontecem nas democracias novas, e um pouco menos nas antigas, mas é certo que exigem mais trabalho.E tapar a boca da imprensa ,nós já sabemos há muito tempo, sempre foi uma das primeiras medidas a serem tomadas pelos tiranos.
"Prá que pensar? deixem que a gente pensa por vocês... Prá que falar? deixa que a gente fala o que vocês precisam escutar" e por aí vai...
Falando nisso, no controle da imprensa, ainda tem uma coisa que não sei: de quem foi o lobby para tirar a obrigatoriedade do diploma de jornalista.
A gente vê muita discussão na mídia. Há quem defenda a medida dizendo que a obrigatoriedade foi uma jogada da ditadura militar para ter um maior controle dos jornalistas. Agora, o que parece se querer é o controle, através do descontrole, possibilitando aos apadrinhados políticos -sim porque nenhum órgão de imprensa que se preze vai trocar um jornalista por um,nem dois,nem por três analfabetos na profissão, que exige técnica e ética.
Fico imaginando o que vai ter de assessor de comunicação nos cargos públicos brasileiros que não precisarão sequer saber escrever um O com uma garrafa. O importante certamente será o emprego e a quem eles estarão dando voz. No final das contas, não deu tudo no mesmo??? Quem levou, e leva a sério a profissão, é quem pagou o pato.

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Com as bençãos de Lord Ganesha


É ótimo voltar a assistir novelas. Eu estava tristemente viciada nas séries de Tv a cabo Uglly Betty, CSI, Law e Order e Will Grace. Nada contra as séries americanas, muito bem produzidas e com um bom roteiro, mas cansei de ver os mesmos episódios se repetirem todos os dias. Já estava com saudade das novelas . Eu estava com saudade das novelas brasileiras, e me sentia uma ET sem saber o que estava acontecendo com Flora e Cláudia Raia, mas as novelas que geralmente eu assisto, que são as da Globo-que posso fazer se sou uma pessoa simples e com gosto popular?- eram insuportáveis de chatas. As atuais estão mais divertidas. Gosto especialmente de Caminho das Índias pois já aprendi a falar hare baba, tchai, tik,(engraçado como eles falam bem o português) e quando estou chateada desmaio ou ameaço me lançar num poço com uma pedra amarrada ao pescoço( mas nem no palacete de Opash tem água encanada?).
Verdade seja dita, estes últimos episódios estão muito legais, principalmente nas terças quando após a novela entram os Casseta e Planeta- Lord Ganesha que me perdoe estou fazendo propaganda para a Globo! Desculpem os meus amigos intelectuais e os adversários da rede, culpada por tudo de ruim que acontece no país desde 1964, mas ainda acho o programa engraçado. É a palhaçada da Palhaçada.
Neste momento, quero dizer que esta semana me sinto unida a todas as noveleiras do país que estão assistindo, com toda certeza, os lances mais esperados do folhetim: a desgraça de Raul Cadore. Gente, como é legal vê-lo catando lixo nas ruas! Como é que alguém pode criticar Glória Perez por ter tanta imaginação e propiciar vinganças tão justas que fazem as mulheres respirarem aliviadas: Hare Krishna !

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Brincos de fumaça



De novo outra vez. Não é possível. Sim, é possível. Aconteceu de novo. Coloquei alguns brincos e anéis de prata para ferver com água e sal como aprendi em bate papos imprescindíveis com as amigas onde a gente conversa sobre tudo: do momento político, melhor filme em cartaz, nossas vidas, as vidas dos outros e os pequenos fatos e acontecimentos do dia a dia.
Estava no fim da revisão de um livro com 70 mil palavras que estou fazendo para um amigo perfeccionista que quase não deixa nada para revisar quando sinto um odor ácido de coisa queimando. Corro para a cozinha. Não são meus adereços que estão soltando fumaça. É a própria panela onde os coloquei e onde eles estão grudados. Droga!
Devem ter quase umas duas horas no fogo. Estão pretos. Não é que momentos como esses sejam incomuns em minha vida. Talvez seja por isso que não gosto de cozinha; a gente tem que ficar em alerta o tempo todo. Será que Gilmar Mendes tem razão? Que ser jornalista e exercer trabalho intelectual é a mesma coisa que misturar temperos? Não que eu esteja menos prezando o trabalho dos cozinheiros. Longe de mim. Acho que um bom cozinheiro (viu, Ricardo?) vale mil vezes mais do que mau juízes.
Mas, este não é o meu assunto de hoje. Os brincos queimados me remetem a quase 30 anos atrás, no Rio de Janeiro, onde morava na época. Minha amiga Celinha tinha ido passar o dia lá em casa e se ocupava com alguma coisa que não lembro quando vimos uma fumaça negra saindo da cozinha. Saíamos correndo e eu aos prantos vi que eram minhas lentes de contato, que na época custavam caro, e que eu tinha colocado para esterilizar. O estojo onde elas se encontravam derreteu. Minhas lentes derreteram, a panela foi para o lixo. Mas, a culpa foi de Tolstói. Celinha se dividia entre me consolar e achar engraçado. Eu estava solidariamente acompanhando a histórias de Anna Karenina, heroína russa, casada, cuja paixão fatal por um oficial acabou por levá-la para baixo das rodas de um trem(será que é isso mesmo? Faz tanto tempo. Eu era quase uma menina). Fiquei por demais entretetida com o romance, que li quase num fôlego só , torcendo por Anna, o que hoje 30 anos depois eu não faria mais.Quem manda ser burra?penso eu hoje.. .Aliás, ela está em minha galeria de mulheres idiotas de braços dados com Madame Bovary. Se quer trair, faça direito e não fique romantizando como se faz aos 17 ou 20 anos.É só um escape, um passatempo. Para um mulher infiel eu diria: deixe de ser imbecil; pense como um homem, como seu marido certamente terá pensando em alguns momentos do seu casamento.
Quero dizer que não sou adepta da infidelidade, nem da traição. Mentir dá muito trabalho, uma mentira puxa outra, e assim se acaba toda a sua tranqüilidade. Portanto, acho imprescindível que se saiba o que está fazendo e o porquê. Se é porque o seu casamento não está bom ou acabou livre-se dele e não precisará ficar mentindo, coisa mais chata. É claro que dizer a verdade sempre pode causar prejuízos irreparáveis para si e para os outros.Fiquemos então com as pequenas mentiras, educadas, que não prejudicam ninguém e que não lhe tiram o sono . Sim, porque as mulheres em sua maioria não suportam a pressão de viver mentindo nem de ir para cama com o marido estando apaixonada por outro. Sim, na cabeça delas isso é que é infidelidade.
Mas não sei por que estou falando nisso. Meus brincos, me levaram às minhas lentes que me levaram a Anna Karenina que me levaram às mulheres infiéis.Coisa que nunca fui porque nunca escondi nada do que fiz para os meus namorados, que é claro,não suportaram. Então, hoje, viver sozinha, é para mim extremamente libertário. Faço o que quero, na hora que tenho vontade, não engano nem magôo ninguém, não me violento tendo que mentir ou me esconder. Decididamente, não gosto de viver perigosamente. É bom. Muito bom. Mesmo queimando lentes, anéis e brincos.