sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A festa que não foi....

O carnaval passou e deixou na cidade um cheiro de lama e medo do futuro.
Os excluídos saíram às ruas para tomar na marra o que achavam que devia lhes pertencer.
Assaltaram ônibus, saquearam passageiros, agrediram e assustaram..
Tenho uma amiga que gosta de dizer que vivemos num apartheid. Nunca levei isso a sério porquea afirmação dela me remetia a segregação sul-africana, diferente da nossa.
Mas, descubro que ela tem razão.
E pressinto que os que estão no fim da cadeia alimentar vão engolir os que estiverem qualquer nível acima deles. É a realidade de agora.
O carnaval costuma mostrar as coisas que se esconde.
É a busca da satisfação, da alegria, do prazer.
Para alguns é mais do que isso.
É a busca da revanche, da vingança, a explosão do ódio e do ressentimento.
E apesar disso tudo, deveria ser uma festa linda de um povo que , acredito, ainda sabe se divertir.
Que outro país do mundo pára quase uma semana numa espécie de grandes férias coletivas para brincar, curtir, relaxar, descansar, enfim, parar a rotina de fato?
O carnaval deveria ser uma festa.
Não é mais.
Já foi?
Que pena.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Se o santo tem pés de barro, melhor deixar que eles quebrem....

domingo, fevereiro 11, 2007

Hoje teve sol, andei na praia e mergulhei numa espécie de lago salgado da Praia da Paciência que, aliás, estava muito suja por causa da chuva que caiu na madrugada.
Poderia dizer que foi um dia bom. De fato foi.
Mas não me sai da cabeça o menino que foi arrastado fora do carro por ladrões no Rio, ou o caso aqui em Salvador, do funcionário público, pai de família, que "incomodava" sua chefia por se recusar a fazer algo que sua consciência condenava, foi assassinado quando os "seguranças" do órgãoo em que trabalhava, contratados para lhe dar um susto, "exageraram" na dose e mataram-no de pancada.
Poderia dizer que hoje foi um bom dia, mas estas coisas que parecem se repetir sempre, a barbárie, a impunidade, me angustiam...

domingo, janeiro 28, 2007

Sozinho com o mar



Gostei muito desta foto que o meu filho tirou, no Rio Vermelho, para a aula de fotografia da faculdade.
O homem sozinho sobre a pedra passa segurança. E auto-dominio.
Eu teria coragem de ficar sobre uma rocha no meio do mar?
Não. Não sou páreo para as águas..........

sexta-feira, janeiro 26, 2007

"Probremática" é a educação no Brasil

Nunca tive muito saco para esses pagodes que assolam Salvador e que retratam o que a cidade, como o país de modo geral, tem de pior. A falta de educação básica das camadas mais pobres da população.
Não se pode negar o swing e o talento musical dos baianos, mas a letra das músicas não é só um acinte ao bom gosto, mas uma razão para nos envergonharmos.
Um dos hits deste verão baiano é uma nova banda, cujo nome não me lembro, nem me interessa e que tem como carro chefe um pagode cujo refrão principal é “ela é probremática”. “Probremática” sim, com o rê no lugar do lê.
Quando a gente ouve pessoas falando errado, ou cantando com erros de português é revoltante. Gravação num CD então é de matar de raiva. Penso que deveria ser caso para processo. Proces-so em defesa da língua, dos nossos ouvidos, das escolas.
Afinal, será que as gravadoras não podem sequer sedar ao trabalho de, ao menos, orientar os 'artistas' e mostrar como se fala corretamente? Banaliza-se a mediocridade, a ignorância, e a falta de respeito com a arte. Os erros e os vícios de linguagem são vistos como normais, populares...E ainda há os que chamam de elitistas os que criticam essa miserabilidade intelectual.
Um colega vendo minha indignação pergunta:”Você não sabe que aqui na Bahia quanto pior , melhor?”
“Daqui a pouco eles estão no programa de Faustão com aquele auditório debilóides gritando também ela é probremática”....
É bem possível. É só lembrar da boquinha da garrafa e de outras “pérolas” do pagode da Bahia.
Bororó, bororó.... Bororó, bororó...

sábado, janeiro 20, 2007

Sem tolerância


foto: Hieros Vasconcelos
Aieska, educadora e amiga, me mandou uma ressalva: o seqüestro de nossa colega jornalista durou três horas e felizmente ela saiu sem um arranhão.
Fico feliz por isso, mas continuo em um quase pânico insidioso.
A insegurança não deixa margem à tolerância.
Salvador não merece isso. O povo baiano não merece isso, e os próprios criminosos poderiam ter uma vida decente.
O que será que podemos fazer, de fato, efetivamente, com resultados concretos?

domingo, janeiro 14, 2007

Salvar Salvador!


“A liberdade consiste em saber que a liberdade está em perigo”.
Emannuel Lévinas



Duas amigas assaltadas esta semana.
Uma, médica, voltava para casa após um dia de trabalho e ao parar numa sinaleira naorla da Pituba às 22 h, foi surpreeendida ao ter o vridro do seu carro quebrado por um marginal que pegou a sua bolsa e fugiu.
Com a outra, jornalista, foi pior. Vítima de um seqüestro relâmpago, foi deixada de madrugada na região das Ubaranas, também na Pituba, após ficar no porta-malas do carro por 5 h rodando com os bandidos. Antes de tomar tino da situação e pedir ajudar, foi abordada por outros assaltantes que a esmurraram e fugiram com a sua bolsa.
Que já estava vazia.
Estamos vivendo uma situação de barbárie. Não existe mais uma cidade grande no Brasil onde se possa viver com tranqüilidade.
Falta segurança. Falta punição. Falta prevenção.
Quando os ladrões são crianças ou adolescentes os policiais não se dão ao trabalho nem de ouvir as queixas. Não adianta ter o trabalho de pegá-los para serem soltos em seguida.
As leis brasileiras não são feitas para o Brasil. São feitas para um país utópico qu está bem longe de ser o nosso. São leis humanas, bonitas, mas inúteis e inviáveis.
Lei é para ser respeitada e usada. E não para o Primeiro Mundo ler.
Principalmente porque o pessoal do Primeiro Mundo é esperto e faz leis adequadas à sua realidade.
È preciso buscar uma solução urgente para a insegurança na Bahia, no Rio, no país.
Soluções de ordem prática e que atinjam várias frentes: policial, da Justiça e social.
Chega de continuarmos reféns da inoperância, do proselitismo, da incompetência, e da sorte!
Me dói muito ver Salvador entregue à bandidagem.

sábado, dezembro 23, 2006

A Missa do Galo

O Natal me lembra a Missa do Galo e uma das maiores decepções da minha infância.
Por muito tempo desejei poder ir à missa, que naquela época era sempre à meia-noite.
Minha mãe vinha de uma família batista e seu avô, meu bisavô, foi um dos primeiros, se não o primeiro, pastor batista brasileiro.
Mas, a Igreja Católica sempre exerceu um fascínio sobre mim com seus altares maravilhosos, anjos, e santos dramáticos em rituais de êxtase e sangue.
Eu devia ter entre seis e sete anos quando esse dia chegou. Eu iria à missa com minha avó paterna e madrinha, uma católica praticante. Lembro da ansiedade que senti, e o esforço que fiz para me manter acordada. Minhas tias se preparavam animadas e eu olhava encantada para o véu de renda que elas levavam na cabeça.
A missa transcorreu normalmente, com cânticos, incensos, e palavras em latim.
Quando acabou, virei para minha avó e perguntei me sentindo lesada: “ e o galo? cadê o galo”? “porque ele não veio?”
Na minha imaginação, o galo seria a parte especial da celebração, e deveria permanecer em cima do altar enquanto o padre celebrasse a missa.
Minha avó explicou que a missa do galo se chamava assim porque era realizada nas primeiras horas da madrugada. Fiquei terrivelmente desiludida.
Mais tarde me disseram que Papai Noel não existia. Como não? Eu tinha rezado pedindo a ele uma correntinha de ouro e recebi uma exatamente igual a que eu queria.
E não havia contado meu pedido pra ninguém...
Papai Noel existia sim. E até hoje , quando chega o Natal, eu sempre penso que ele está por aí para realizar todos os nossos sonhos e desejos..
E quem sabe esteja mesmo.
Que todos nós possamos ter nossos anseios realizados.
E que Papai Noel traga paz, prosperidade e harmonia para o mundo inteiro.
Chega de guerra e de pobreza. Luxo para todos.
Feliz Natal e um ótimo 2007 para todo o planeta.
E para nós especialmente.


quarta-feira, dezembro 13, 2006

Para alguém de quem gosto muito

Não se pode , nem se deve, viver a vida dos outros. A nossa própria vida pode ser a melhor possível. Nosso tempo é só nosso, não está conectado à vida ou à história de mais ninguém.É preciso escrever nossa história sem antecipações, sem pular degraus. Só assim se chega completo onde se tem que chegar.

terça-feira, dezembro 12, 2006

"Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber
o que significa
o que está escrito".

Walt Whitman

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Léozinho






Léo teve alta ontem, após mais duas semanas no hospital.
Há dois anos, descobriu-se que ele tinha leucemia e foi iniciada uma luta para a recuperação da sua saúde e para encontrar uma medula compatível com a dele.
Um menino forte, determinado e corajoso. Durante o período em que passou, entrando e saindo no Hospital São Rafael, onde realizava o seu tratamento comandado pela eficiente equipe do doutor Fernando Araújo, Léo não reclamou das quatro cirurgias que teve que fazer para tirar e colocar cateteres (será assim que se escreve?), não reclamou das centenas de agulhadas que tomou, da quimioterapia, dos antibióticos, nem das dores que sentia. Aceitava tudo com estoicismo e acompanhava o seu tratamento cuidadosamente a ponto de ligar para a enfermaria para saber quando as plaquetas que teria que receber iriam chegar, lembrar os horários dos remédios que teria que tomar, e coisas assim.
Só reclamou dos dias que passou na UTI e, às vezes, da comida.
Fora isso, estava tudo dentro do que estava disposto a suportar. Ficou amigo dos médicos, das enfermeiras, das auxiliares, e do pessoal da copa para onde ligava de vez em quando para pedir um sorvete, um cafezinho, um Nescau. Enfim algo que estivesse com vontade de comer. Comia muito para fortalecer seu sistema imunológico e entre seus passatempos preferidos estava o sjogos no lap top, o desenho de Bob Esponja na TV e os passeios de madrugada pelos corredores do hospital puxando consigo toda a parafernália de rodinhas com o soro de onde saía o remédio que ia para o seu organismo. No ano que vem, iria cursar a faculdade de engenharia elétrica no Cefet.
Seus últimos exames mostravam uma medula limpa e os médicos estavam confiantes.
Mas seu ciclo já estava encerrado. Léo partiu na madrugada de domingo levado por uma parada respiratória. Uma partida sentida por todos seus amigos e familiares. E claro, por mim, sua tia.
Um menino de 21 anos com uma inteligência brilhante e um coração de... menino.
Estamos todos tristes e muito orgulhosos de sua capacidade de combate, de seu bom humor, e de sua confiança no futuro. Estamos gratos por tê-lo conhecido e de que ele tenha feito (e fará sempre) parte de nossa família.
Gostaria de poder dizer a ele obrigado Léo, por tudo que nos deu, pelo seu sorriso, pelo seu carinho, e até pela sua teimosia.
Você cumpriu seu ciclo da melhor maneira possível. Tenho certeza que foi aprovado com louvor. E tenho certeza também que estará bem onde estiver.Teremos saudades e o consolo de saber está em paz. Como seu pai escreveu num cartão de dedicatória junto às flores : Fique em paz querido. Não se preocupe conosco.Teremos saudades.

terça-feira, novembro 28, 2006

Rio Vermelho



Êta Rio Vermelho para ter maluco, mendigo, bêbado, menino de rua, cachorro perdido e ladrão.
Bairro boêmio e histórico de Salvador, foi no Rio Vermelho que Jorge Amado viveu grande parte da sua vida até morrer em 2001, e é onde moram ainda hoje celebridades como Gal Costa, Carlinhos Brown e outros artistas de diversas matizes menos conhecidos e alguns até obscuros.
Lugar bom de se viver, fora o confronto cotidiano com a realidade dura da pobreza e da miséria que quebram a aura de poesia e de magia(rima sem intencionalidade) que envolvem o bairro.
Hoje eu vi Lucas, como diz que se chama um menino de rua que perambulava pelo bairro, dormindo a sono solto na calçada de uma casa, tranqüilo como se estivesse na segurança de um lar. Fazia meses que eu não o via, tinha sumido, e cheguei a pensar que tivesse voltado para Sergipe de onde disse ter vindo para trabalhar e ajudar a mãe. Não sei se é verdade. Quando o conheci, ele estava dormindo na frente do meu prédio tendo uma caixa de engraxate como travesseiro. Dei comida, uma camiseta e uma sandália. Ele se ofereceu para engraxar meus sapatos quando eu quisesse. De graça. Eu disse que faria isso quando precisasse.
Cheguei a procurar um órgão da prefeitura para que o encaminhasse de volta para a sua terra. Não deu certo. Era mais uma dessas instituições sem estrutura que existem para dar emprego a pessoas que, na maioria das vezes, não estão a fim de trabalhar.
Notei que ele tinha crescido, o cabelo estava mais curto, mas continuava sujo como sempre e com a impressionante capacidade de dormir em qualquer lugar: no chão quente, debaixo do sol.
Meu Deus, vou ter que ficar vendo Lucas de novo, com fome, sujo, dormindo nas calçadas. Que praga.
Como se não bastasse, tem também um cachorrinho preto, poodle, que fugiu de casa, ou foi abandonado, e anda prá cima e prá baixo na rua Alagoinhas. Não quero nem olhar. Tenho medo de acabar recolhendo-o e levando-o para casa, como duas das minhas irmãs que recolhem cachorros e gatos abandonados pelas ruas. Acho isso uma maluquice, e tenho medo que seja genético. Tenho mais medo ainda de recolher gente. Se por acaso eu quiser fazer isso, pelo amor de Deus me internem.
Tem o velho uruguaio, que se diz um ex-tupamaro, e vive pedindo dinheiro nas sinaleiras. Esse também dorme nas calçadas duras, sem nem uma folha de jornal embaixo. Outro dia, pivetes o apedrejaram e ele foi levado de táxi para o pronto socorro por uma vizinha minha de bom coração. Ela até arrecadou dinheiro para que ele pudesse alugar um barraco. Não adiantou. Os vagabundos da área o expulsaram e ele logo estava de novo nas ruas.
O menino, o uruguaio , e o cão, são alguns dos inúmeros personagens desprotegidos que vivem pelo bairro. Bairro que também abriga alguns dos melhores e mais caros hotéis da cidade, bares da moda, lojas, restaurantes e antiquários. Rio Vermelho onde Caramuru veio parar após naufrágio de um barco português. Rio Vermelho da festa de Iemanjá no dia dois de fevereiro. Rio Vermelho de calçadas quebradas, bocas de lobo entupidas e poças de água suja...
É muito estresse!

quarta-feira, novembro 22, 2006

O placebo

Não me considero uma pessoa sugestionável e costumo ler com um certo desinteresse e descrença, revistas com matérias que falam sobre o poder da mente sobre o corpo. É um dos meus paradoxos.
Esta semana passei por uma pequena surpresa que me levou a refletir sobre a reali-dade dessa teoria. Estava procurando um livro na minha estante, quando caiu um frasco do remédio que uso para a sinusite diagnosticada pelo otorrino; diagnóstico que me deixou com dúvidas. Acho que tenho apenas rinite.
Em todo caso, costumo aplicar as duas gotas nas narinas sempre que estou um pouco entupida, com dor de cabeça ou de ouvido.
Ao pegar o frasco que caiu, ele me pareceu cheio. Estranhei, pois tinha passado a semana anterior fazendo a tal aplicação até me sentir curada. Retirei a tampa e, per-plexa, constatei que o frasco não tinha furo. Então, o que aplicava eu nas narinas quando apertava o frasco? Nada. Nem ar.
“Quer dizer então que apliquei gotas de nada no nariz, e fiquei boa somente por achar que estava me medicando”?
A vida é realmente uma surpresa..........

terça-feira, novembro 14, 2006

Odores


Ando sem poesia.
O cotidiano me toma todo
o tempo
como um quebra-cabeças
que nunca
acabo de montar.
Meus sentidos ficam alertas
à noite
quando passo em minha rua
e sinto cheiro de plantas que
não sei o nome,
de rosas e de jasmins...

segunda-feira, novembro 06, 2006

Melhor idade para quê?

Não existe nada mais ridículo do que tachar de "Melhor Idade" o período de vida das pessoas que começa a partir dos 60 anos(ou será 65?).
Concordo com uma atriz, se não me engano a Tônia Carrero, que disse que MELHOR IDADE só se for para morrer.
Ora, vamos respeitar a inteligência das pessoas. Não que os 60, como 70, ou 80 sejam idades que não devam ser valorizadas.É verdade que não é agradável ver o corpo ir se transmutando, a pele ficando mais seca, o peito se dobrando à lei da gravidade, os cabelos ficando brancos....
Mas, isso faz parte da vida.
Quando éramos crianças sonhávamos em crescer logo, nos tornar adultos, ter mais autonomia e liberdade. Depois, a gente descobre que ser criança era bom; que ser adolescente também -apesar das crises existenciais, da sensação de inadequação, e de injustiça do mundo em relação a nós; a idade adulta traz problemas, mas também traz soluções. E tudo- a não ser subir escadas correndo, perder noite em bares ,ou discotecas- parece mais fácil.
Estou escrevendo sobre isso porque, embora não esteja fascinada pela passagem do tempo, também não estou com medo dele (é claro que se pudesse me conservar em formol, eu o faria; mas não posso). Que venha o tempo com todas as suas perdas e os seus acréscimos.
Essa reflexão superficial me surgiu, lembrando de um caso contado por minha tia Beré, que tem uns 60 e alguns anos de idade, e aparenta uns 10 a menos. Ela estava na fila de idosos em um banco, quando um rapaz se sentiu incomodado e bateu no seu ombro avisando :"Minha senhora, esta fila é para idosos; ela cordialmente mostrou para ele a identidade que lhe dava o direito de estar naquela fila.
E ele, sem graça: "Desculpe senhora; eu só a tinha visto de costas".
Minha tia caiu na risada (as mulheres de minha família- com exceção de mim de vez em quando- têm bom humor) , e respondeu para desconforto do rapaz e deleite do público: "É bom saber meu filho. Eu agora só vou andar de costas"....

xxxxxxxxxxxx
Obs. Na verdade estou chateada. A melhor amiga da minha mãe, que conheço desde menina, morreu ontem. Na rua, um homem me chamou de “Coroa metida”. CORÔAAA????? EU?

quinta-feira, outubro 26, 2006

Tinha um trio elétrico no meio do caminho

Domingo cinzento e chuvoso, me dirijo ao jornal para cumprir minhas obrigações dominicais, quando me deparo com um engarrafamento 'monstro' na Cardeal da Silva, uma avenida estreita de mão dupla, onde mal dá para passar um carro de cada lado, com o agravante de que lá funcionam duas faculdades. É claro que a palavra engarrafamento na Bahia tem um significado diferente do de São Paulo, onde a palavra em si significa um nível se sacrifício e estresse intolerável. Mas aqui ninguém tem saco para passar mais de meia hora preso no trânsito. Normalmente, no horários de rush a Cardeal da Silva é um inferno, com os estudantes chegando e saindo para as aulas. O inusitado é que aos domingos, dia de folga, a avenida fica livre e o fluxo de veículos transcorre como num “céu de brigadeiro”.
Eu estava em um ônibus quase vazio, com um motorista tirado a engraçado que fazia observações gaiatas a todo momento.De repente, ele diz: “olha é um trio elétrico”...
Ninguém leva a sério; ele faz uma manobra e coloca o ônibus numa posição em que todos podem ver o veículo na frente. De fato, é um trio elétrico. Tocando, e com umas 50 pessoas agasalhadas pulando atrás, com sobrinhas e guarda-chuvas nas mãos...
Não dá para acreditar, penso perplexa. É por isso que às vezes me irrita morar em Salvador. É muita animação por tudo e o tempo todo.
E eu neste resgate cármico que parece interminável ( é, às vezes, eu reclamo de ter que andar de ônibus em Salvador).
E o trio vai rodando em ritmo lento, sob a chuva, enquanto carros e ônibus seguem pacientemente atrás. “Acho que é coisa dos evangélicos”, diz uma senhora. Uma outra retruca: “Não. Acho que é uma festa dos católicos que estava marcada para hoje”.
Não se faz mais religiosos como antigamente, penso intrigada com a força da massa.
Tento sugerir ao condutor que dispare a buzina do ônibus, com a esperança de que os outros motoristas chateados promovam um buzinaço.

Mas que nada. Ele está super zen. Conversa com o cobrador e com os passageiros e torce para que o trio desça para a Vasco da Gama, o que depois de 40m de chateação, acaba acontecendo, para alívio de todos.
Depois que saí do sufoco e minha raiva passou achei engraçado. Só faltou padre Marcelo, ou o 'bispo' Edir Macedo, com os braços para cima de um lado para o outro em cima do trio.
Debaixo de um toldo, é claro. Afinal, chovia.
Na verdade, admito: foi hilário...

quinta-feira, outubro 12, 2006

Muito barulho por muito pouco...

Li hoje na Internet que Jackson Inácio da Silva, um dos 15 irmãos vivos de Lula, anunciou que vai votar am Alckmin no segundo turno. Pensei: coisa de irmãos, ciúmes...
Mas, não. Jackson que é operário e se diz militante do PT explicou que é contra a reeleição e se disse envergonhado pelos escândalos do partido. Disse também achar o Bolsa-Família uma ver-gonha para qualquer governo: “O povo não quer esmolas, quer trabalho, casa para viver, escova de dentes. Não apenas arroz e feijão”.
Lúcido. Honesto. Desapaixonado, não sei. Afinal, política é paixão. Até eu, que nunca fui ligada a partidos ou fiz política partidária, e sempre me senti livre, como me sinto, para pensar o que eu quiser e votar em que tiver vontade, me sinto envolvida pelo clima. E sei que não vale a pena. Desapaixonadamente falando, o mais provável é que todos nós nos decepcionemos. Pelo menos aqueles que ainda são capazes de ser leais a si mesmos e às suas convicções. Em uma coisa ou outra.
Não vou mais falar em política neste blog. Não tenho a pretensão de fazer a cabeça de ninguém, nem de ser dona da verdade. Sou dona da minha verdade, que hoje é esta: acho Alckmin mais preparado. E melhor: não é do PT, esse partido que brincou e menosprezou com o seu discurso de honestidade e de ética a inteligência e a esperança dos brasileiros.
De qualquer forma, vença quem vencer, sairemos ganhando porque podemos escolher, podemos decidir, podemos acertar ou errar. E que continue assim.
Acho que sairemos ganhandoporque sou também otimista. Acho que a gente sempre está apren-dendo com os erros e os acertos, com as coisas boas e as coisas ruins. É só tentar enxergar. E como diz Salomão “há um tempo certo para tudo”.
Então, seja qual for o resultado estaremos bem.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Não é que eu não tenha dúvidas.
Eu as tenho.
Sem endeusar ou demonificar ninguém, sem mitos , nem mentiras,
eu gostaria de poder pensar desapaixonadamente e
concluir sobre o que será melhor para o Brasil no momento:
O que será?
A demagogia, os sofismas, e o fanatismo
me enchem o saco.

quarta-feira, outubro 04, 2006

O PT venceu na
Bahia e eu cheguei
à sábia conclusão
de que para alguns,
a opção por Lula,
virou uma espécie
de religião.
Questão de fé.
E credo,
não se discute.
Credo.
Eu botaria minhas
barbas de molho,
se as tivesse.
Sinto cheiro da
Santa Inquisição....

terça-feira, setembro 26, 2006

Por que enganar a nós mesmos?
O santo tem pés de barro,
está claro,
e é bom que quebre.
Para que acreditar em mentiras?
Só para acreditar?
Acreditar para acreditar?
Acreditar por acreditar?
Que sentido faz?
A fé cega é,
como diria Milton,
faca amolada.