segunda-feira, março 16, 2009

Psicologia e Universo

A Fundação Lar Harmonia , uma instituição beneficente que há mais de 15 anos vem desenvolvendo importantes ações em benefício de comunidade expostas ao risco social da cidade de Salvador, realiza nesta quinta-feira o lançamento do livro “Psicologia & Universo Quântico” de autoria do psicólogo Adenáuer Novaes.
O evento consistirá de uma apresentação artística, de uma palestra do autor sobre o tema e no final estará disponível para os autógrafos. Psicologia e Universo Quântico é um livro que trata do Universo como algo que recebe a contribuição da mente humana, sem a qual nada faz sentido.
Neste livro o leitor se descobre participante ativo na construção do Universo à sua volta. A Fundação mantém um projeto Educacional através de duas unidades de ensino, atualmente atendendo a 450 crianças/jovens, mantém um Complexo de Oficinas Profissionalizantes, um Trabalho de Promoção Social destinado às famílias assistidas pela Fundação, os Núcleos: de Psicologia, Jurídico e de Cidadania e o Médico destinados às comunidades beneficiadas. Todos os projetos são gratuitos.
Psicologia e Universo Quântico é o 15º. livro editado pela Fundação Lar Harmonia de autoria de Adenáuer Novaes, e como aconteceu com os demais livros, os direitos autorais foram integralmente cedidos pelo autor à Fundação em benefício das obras sociais.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Que Deus me livre dos micos, sempre que possível...

Tenho que admitir: graças a Deus tenho um anjo da guarda eficiente. Deve ter sido ele que me fez apagar inadvertidamente um artigo que escrevi para este blog tomando as "dores" da brasileira que disse ter sido agredida por neo-nazistas na Sauíça e perdido no ataque o casal de gêmeos que esperava.
Que mico. A imprensa suíça tem razão numa coisa: a gente não investiga os fatos antes de explodir em emoção em frente a determinadas notícias.
Depois de tudo, a história de Paula Oliveira parece inconsistente demais.
Aqueles traços certinhos realmente só poderiam ter sido feitos com muito cuidado coisa que os grosseirões animalizados não têm.
Tou morrendo de pena do pai dela. Mas, pai e mãe é para isso mesmo,né? Ajudar os filhos nas horas de necessidade; mas , que uns tapas em Paula quando criança ( e um bom psicanalista) diminuiriam bastante o problema dela,olsinha. diminuiriam....E fama da mulher brasileira no exterior piora cada vez mais graças a Paula e às meninas que vão para a Europa rodar b olsinha- embora eu sempre diga que só há oferta onde existe clientela...
Então.....
Mas , é uma coisa muito chata mesmo para nós, não é?

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Preciso de um remédio para hipocondria...

Eu já desconfiava que era um pouco hipocondríaca. Mas, como em qualquer outro tipo de doença mental, a gente nunca tem certeza.
Voltei a tomar aulas de Yoga para alongar a coluna e relaxar, mas senti dificuldades em fazer alguns exercícios. Em alguns momentos parecia que eu não tinha feito digestão e que a comida estava fazendo o trajeto inverso do meu estômago para a boca. Aliás, parecia que ela nem chegara ao estômago. Por algum motivo ficara presa no esôfago. Minha mestra, quando me queixei, diagnosticou: refluxo.
A palavra foi como uma luz no fundo do túnel esclarecendo tudo que eu sentira nos últimos tempos. A sensação de um bolo no peito que de vez em quando subia para a garganta, e ficava brincando de sobe e desce me levando a tomar todas as espécies de chás amargos criados pela Mãe Natureza.
Fui para o Google estudar o “ meu refluxo”, mas os sintomas não batiam. Resolvi ir a um gastroenterologista que me mandou fazer uma endoscopia. Fiz. O resultado deu gastrite crônica superficial (não era refluxo?). O médico disse que não era causado por bactéria, não tinha nada a ver com o meu bolo no esôfago , sugeriu que fosse um problema emocional , e perguntou se eu estava muito preocupada ou ansiosa. Eu respondi que não estava diferente do meu natural estado normal: estava ansiosa e preocupada como sempre. Ele sorriu e prescreveu mais uma caixa do medicamento que me passara anteriormente. Pensando bem, até que meu mal-estar tinha melhorado nos últimos dias, mas o bolo continuava lá me impedindo de ser uma pessoa leve, relaxada, vendo a vida passar como uma nuvem cor de rosa.
Fiquei com raiva. Pensei que o gastro fosse descobrir a causa das minhas náuseas e já criticava mentalmente as dezenas de outros médicos que já havia consultado.”Veja só, fui a tantos especialistas e foi a minha professora de Yoga quem descobriu que eu tinha refluxo”.
Quer dizer que eu não tenho refluxo? E que diabo é isso que fica preso em minha garganta? Palavras que eu quisera dizer e não disse? Duvido muito. O auto-controle verbal não é o meu forte.
Mas, que droga, e os psiquiatras para que servem??? Não existe remédio para hipocondria?

domingo, janeiro 25, 2009

A UNE que já nos uniu, quem diria......

Esta semana, a UNE reuniu milhares de estudantes em Salvador para discutir Cultura. De fato, se há um lugar no mundo onde o tema possa ser vigorosamente discutido e vivido na prática é esta cidade.
Quem não gostaria de participar de um encontro na mais festiva das cidades brasileiras, em pleno verão, a apenas algumas semanas do carnaval?
O encontro, intitulado de VI Bienal da UNE, sob o tema "Raízes do Brasil, formação e sentido do povo brasileiro" terminou hoje. Ao passar pelo bairro de Ondina, vinda da praia, vi um trio elétrico com bandeiras da UNE e um monte de jovens ansiosos na expectativa de realizar o sonho de grande parte dos brasileiros de sua faixa etária que é a de pular atrás do trio elétrico.

"Cruzes, parece a década de 70. Quanto bicho grilo", pensei. Lembrei de meus anos de Universidade Federal da Bahia, a UNE na ilegalidade, e os encontros que bem ou mal eram realizados por estudantes em vários estados do país. Era o maior bochicho. Nunca fui. Meus pais não permitiam, e como eu dependia economicamente deles me conformava. O chato era ouvir as narrações dos amigos na volta, que iam da hilaridade ao surreal. Era muita diversão. Hoje me pergunto, se ansiosa do jeito que sou suportaria fazer aquelas viagens que duravam de um a três dias em ônibus velhos, que iam quebrando pelo caminho. Não sei não.
Bom, falar em curtição na Bahia é a mesma coisa que falar que a rua fica molhada quando chove a programação da meninada foi um arraso: espetáculos como o Cordel de Fogo Encantado, trio elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar, show de Marcelo D2, rappers e outros shows fizeram parte desses dias de felicidade da Bienal que contou ainda com apresentação de projetos artísticos de estudantes, entre vídeos, fotografias, instalações, peças de teatro, bandas de música e obras literárias.Não poderia ser diferente. Onde há encontro de jovens vivendo um clima de normalidade democrática tem que ter festa, mas teria que ter também protestos. O que será que aconteceu? Saímos da pobreza, não temos mais problemas? Finalmente, alcançamos o sonho de Justiça Social?Que coisa estranha! Mais estranho ainda foi quando percebi um out-door da UNE na entrada do campus da UFBa onde estava escrito: "Não às cotas!"

O que? Não acreditei. Não li nada sobre isso na imprensa local...A UNE é contra o sistema de cotas? Então, esses meninos que estudam em faculdades públicas, têm dinheiro para viajar, e, podem se dar ao luxo de curtir o verão em encontros subsidiados pelo governo, acham que cota é privilégio? O que será que propõem? melhor educação para todos?
Sim, é um direito da população uma obrigação do Estado, mas não pode acontecer como num passe de mágica. E até lá? É preciso apertar o passo e dar a outros jovens, que não estudam em escolas particulares e sim em escolas públicas descompromissadas, a chance de entrar numa universidade pública, a oportunidade de poder fazer um curso superior gratuito. Certamente, eles não vão ter grana sobrando para participar de bienais e encontros da entidade em outros estados, mas terão assegurado o direito de sonhar com uma vida adulta diferente da realidade em que vivem, e mudar o rumo dos seus descendentes.Afinal, para que serve a UNE hoje em dia? Para distribuir carteirinha de estudantes?

terça-feira, janeiro 06, 2009

De Gaza para Salvador

Não consigo deixar de falar dos out-doors (ou sei lá o que é aquilo) do Curso de Pré-Vestibular Análise. Já repararam? Eles são colocados geralmente em pontos de ônibus. O título é "Os deuses da aprovação" e os professores, com os nomes embaixo, aparecem vestidos com togas, como deuses gregos ou romanos, em poses cinematográficas. Minha irmã, professora de inglês, disse que demissão é um favor comparado a tal ridículo. Eu também acho.
Onde é que essa agencia estava com a cabeça( se é que foi uma agencia que bolou esta bobagem)?
Como os professores podem ter topado participar desse circo? Afinal, espera-se que professores tenham auto-estima.
Por favor, gente!!!!

sábado, janeiro 03, 2009

O Hamas brinca com Israel

Não pensem que apoio o Hamas. Acho que são terroristas quando atacam civis . Mas, não posso dizer que o governo israelense também não seja, quando mata centenas de inocentes nos seus ataques .
Sinceramente, não aguente mais ver o noticiário. A situação no Oriente Médio não muda nunca. É sempre cena de guerra, sangue, dor e lágrimas. É uma doença cronica, é uma burrrice. Todos perdem.
O Hamas, do seu próprio ponto de vista, ganha pontos, quando com os seus foguetes, consegue manipular o estado judeu, que responde exatamente do jeito que eles querem, deixando a população mundial indignada com o massacre de inocentes.
A guerra entre judeus e palestinos atrai a mídia como moscas no mel, e me pergunto porque o mesmo não ocorre com alguns países africanos, em eterna guerra civil e tribal, onde comunidades inteiras são massacradas. Esta semana peguei uns filmes para assistir no feriado. Um deles foi "Diamante Negro" sobre a guerra em Serra Leoa. Na primeira cena , quando guerrilheiros invadem uma vila de pescadores e começam a mutilar homens e mulheres, dei um stop. Não era o tipo de filme que que quisesse assistir no início do ano. Prefiro filmes ficcionais, que se baseiem apenas na imaginação dos roteiristas e que sejam, preferencialmente, engraçados. Se quiser ver desgraça e tragédia é só procurar noticiários de TV e da internet.
Sim, mas voltando ao Hamas. O que o favorece é o fato da mentalidade dos governantes judeus ser igual a desses militantes. É fácil para eles prever a reação uns dos outros.
Também não acho justo culpar o povo israelense por esse estado de coisa. Tem muita israelense que é contra a posição governista e quer alcançar a paz: são as "pombas" ,que não têm a força dos "falcões". Do lado palestino também tem.
Com as devidas proporções parece briga de irmãos: só de birra! Prá não dar o braço a torcer.
Só que nesse caso, estão em jogo vidas humanas . Não vencerá o mais forte. Vencerá o mais esperto, aquele que conseguir trazer a comunidade internacional para o seu lado. E, com certeza, do jeito que está acontecendo, não vai ser o Estado de Israel.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Ah, Israel...Voce não toma jeito!


Gente, que tristeza essa situação em Gaza! Em pleno período natalino...
Será que o inferno em que esses povos- judeus e palestinos- vivem não vai acabar nunca?
Não precisa ser analista, para ver com clareza que esse conflito é alimentado por aqueles que querem manter o poder e o ‘status quo’ na região. Tanto de um lado quanto de outro. O Hamas ataca Israel que reage desproporcionalmente, e acaba causando a morte de centenas de civis inocentes. É um círculo que não acaba nunca. Os inimigos da paz manejam seus adversários como títeres. Se o inferno existe, deve ficar naquela área.
Talvez por isto Cristo tenha nascido lá. Para levar esperança de paz e de fraternidade entre os homens. Daí o ditado: ”santo de casa, não faz milagres”. O povo, entre o qual ele veio, não tem inteligência emocional, e continua aferrado às leis de Moisés do olho por olho e dente por dente.
É muito fácil para os inimigos de Israel manipularem suas ações e reações. São sempre as mesmas: a da força. E enquanto este ciclo não for quebrado, a situação não vai acabar. Pobre povo israelense; pobre povo palestino. Pobre de nós, seres humanos, que cada dia ficamos mais pertos do Apocalipse e cada vez mais distante das máximas pregadas pelo Cristo, de amar ao próximo como a si mesmo e a fazer aos outros o que quisermos que seja feito a nós mesmos.
Quando será que o governo israelense vai tomar uma atitude inteligente e mudar de métodos, de esttratégia? De deixar de reagir como querem seus inimigos?
Essa guerra estúpida, todos sabem, pode levar à destruição de todo o planeta.
Vejo pelo noticiário da TV imagens de bombas e de pessoas feridas.
Olho pela minha janela e vejo um pedaço do mar, em Ondina, e a Igrejinha de São Lázaro, no alto da colina, pintada de branco e sobranceira. Barulho só o dos automóveis que passam na rua e de conversa entre transeuntes.
Apesar de tudo ( e é muita coisa para se lamentar), ainda acho que tenho sorte de viver no Brasil!
Que 2009 abra nossos corações e que possamos nos ver a todos, independente de religião, de cor, de raça, de gênero, de nacionalidades, de opiniões, como o que realmente somos: seres humanos; irmãos. Apenas isso!
E que o governo israelense tome uma atitude inteligente, ao contrário da que desejam e buscam seus adversários!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Barack Obama: Contemporaneidade e Relações Raciais


O texto é grande, mas acho que vale a pena ser lido. Foi escrito pela amiga Lúcia Correia Lima e publicado no jornal A Tarde um pouco antes das eleições norte-americanas. Lúcia comenta, de uma maneira clara e coerente a questão do problema racial nos EUA e no Brasil, semelhanças e diferenças, sem maniqueísmos nem rancores, mas com o pragmatismo dos que lutam por mudanças e não pela perpetuação ou ampliação do sofrimento. Gostei e estou publicando para vocês com a autorização da autora.


"O jornalista John Carlin, repórter do espanhol El País, com uma simplicidade que me faz lembrar uma brincadeira dos ingleses, que brinca com a palavra miss, (senhorita), transformando-a em uma sigla, que quer dizer: “Make it simple, stupid”, ou seja: faça a coisa simples, estúpido, reúne na matéria “A Cor de Obama nos desafia”, informações antropológicas, históricas e sociológicas, que nos fazem entender a questão, que o mestiço norte americano enfrenta em seu caminho para a Casa Branca, diante dos afro-americanos; com semelhanças, mas, fundamentais diferenças dos afro-brasileiros.

Na matéria de página inteira, publicada recentemente no jornal A Tarde, o repórter nos mostra os abismos entre os afro-americanos, que são descendentes da cruel escravidão, e a nova geração de descendentes africanos que “se instalaram na terra das oportunidades de maneira voluntária, atraídos pela possibilidade de uma vida melhor. E disso nasce aquele otimismo fresco, às vezes ingênuo, que segue definindo a American Way of Life.”.

Obama, não é descendente de escravos, e nasce de uma mãe bem branquinha e corajosa, ao se casar com um africano, em um Estado, em que uniões entre brancos e negros eram proibidos por lei. Depois, tão corajosa quanto, se casou novamente com um oriental, que obviamente colaborou na educação, daquele que segmentos menos conservadores no mundo, torcem, para que seja o próximo presidente dos Estados Unidos.

Temos simpatia por Obama, embora ele, como todos os mortais, tenha equívocos; e já está completamente equivocado quando disse em um dos seus discursos de campanha, que “a Amazônia é internacional”. Se assim o for, quero voltar para New York sem visto, apenas com minha identidade da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), que, com lei federal nos fornece o mesmo documento emitido pelas Secretarias de Seguranças.

Lendo naquele sereno domingo o matutino baiano, lembrei-me do dia em que as torres, símbolos do poder econômico americano, estavam tragicamente sendo derretidas, por ações terroristas. Acontecia naqueles 11 de setembro em Salvador, um encontro internacional de capoeira angola. A arte afro-brasileira, que me encantou desde jovem.

Hospedavam-se em minha casa, quatro capoeiristas norte-americanas. No exato dia em que os aviões destruíram as torres em New York, uma das meninas do noroeste, chegou na casa aos prantos, dizendo que a guerra havia começado. Só aí ligamos a TV, e juntas, em silêncio e perplexas vimos as cenas que durante séculos, o mundo não vai esquecer.

Sofri com os colegas capoeiras, que estavam fora de seu país em um momento como aquele. Mas, tudo se transformou em uma profunda reflexão. Convivi de perto, com a força da alma do povo norte americano. Uma delas da Califórnia, lembrou com tranqüilidade: “Tivemos um presidente que disse: a cada duzentos anos, o povo americano tem que fazer uma revolução”.

O fato de Obama já ter chegado tão próximo da presidência de seu povo, possivelmente, esta revolução está a caminho. Embora este conceito de revolução já seja para muitos um mito, depois da chegada do capitalismo; depois da revolução burguesa. Do processo irreversível de industrialização, as maquinas estão sempre a revolucionar as relações de produção e consequentemente sociais. O velho Marx há muito já nos disse: “tudo que é sólido, desmancha no ar”!

Sonho de King

Para o repórter do jornal espanhol, Obama é também a realização do sonho do líder negro Martin Luter King, de que um dia, seus filhos fossem julgados não pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. O mestiço chamado de negro, filho de um emigrante queniano e uma branca do Kansas, venceu porque sua inteligência emocional não é formada pela insistente memória da escravidão e da crueldade do racismo, mas pela busca de oportunidades e pela memória da coragem de sua nobre mãe, penso eu, puxando a brasa para a sardinha de nós mulheres.

O jovem advogado que já é vitorioso ao vencer o poderio dos Clintons, foi para Harvard, uma das melhores universidades, e tem “colhido com as duas mãos, sem um complexo aparente, as oportunidades que abundam em seu país.” Disse o jornalista John Carlin, que com este nome, deve ser também fruto desta mistura vinda da modernidade: John é um nome inglês e Carlin possivelmente italiano.

Esta matéria me fez refletir, sobre a forma enganada com que nossos lideres negros, tentam transplantar a realidade dos descendentes de escravos nortes americanos, arrastando-a para dentro de nossa realidade. Principalmente da realidade baiana, aonde o desenvolvimento do capitalismo chegou muito tempo depois que no sul do país.

O sul que recebeu imigrantes para as plantações de exportação, e para o início ao processo de industrialização, deixando os descendentes de escravos a própria sorte, como nos mostra Florestam Fernandes em seu fundamental texto de 1968, Relação de Raça no Brasil: Realidade e Mito: “... Pode-se verificar como este mecanismo se manifestava em cidades como São Salvador, Recife ou Rio de Janeiro, nas quais as populações negras e principalmente, mestiças logravam a aquisição de um nicho relativamente vantajoso na organização social e econômica daquelas comunidades.”.

O genial Florestan, também fruto de uma mistura de “raças”, (porque raças não existem), descreve o quanto a vida dos ex-escravos da Princesa Isabel, em São Paulo, continuou dramática, pelo fato de não serem absolvidos e preparados para a vida de libertos e assalariados. Sendo rapidamente substituídos pelos imigrantes. Ficando os homens negros libertos em degradante situação; sustentados pelas mulheres que se adaptaram aos salários e obrigações das empregadas domésticas.

Os afro-americanos, foram objetos de estudo do escritor catedrático negro Shelby Steele, que há quase vinte anos escreveu “O Conteúdo de Nosso Caráter”, que deveria ser estudado por nossos lideres afro-brasileiros, que cometem o equivoco de trazer para nós as dores e estratégias dos descendentes de escravos norte americanos, dos quais Obama não faz parte.

“Steele fala da “carga perigosa” que representa a memória histórica da opressão e da condição mental “defensiva e guerreira” que ela gera. O movimento em direção ao passado é tão irresistível que as oportunidades que alguém tem no presente se tornam invisíveis”. Escreve John, mas deixa claro também, a obviedade da continuação de sinais importantes de racismo no país de Obama; e esta obviedade sim, pode ser transplantada para o Brasil, quando insiste em tapar o sol com a peneira ao tentar esconder com palavras o racismo em nossa sociedade.

Mas, como evoluímos, mesmo que não queiramos (Ave Maria!) existem sim muitos lideres negros baianos, que têm também esta visão contemporânea de Obama. Lembro-me de um evento para homenagear mestres de capoeira, organizado pela CUT e patrocinado pelo Sindicato dos Químicos e Petroleiros, em que a mestra angoleira Janja, disse em seu discurso: “A questão do racismo em nossa sociedade, é de toda ela, brancos e negros, é do conjunto da sociedade.”

Por isto entendo Obama, quando ele, na presença de milhares de pessoas em um estádio, e para as câmaras de TV, disse, com suas palavras, que aqueles negros que esperavam dele esta memória da escravidão, esta dor nunca superada que os levam para trás, para um baixo desempenho nas escolas, para alto índice de doenças cardíacas e uma constante baixa-estima; não para o futuro, que estes, não precisavam votar nele. Barack em toda sua campanha, está deixando claro: quer ser o presidente de todo o povo americano, negros, brancos, oriental-descendentes e hispânico-descendentes".



Lucia Correia Lima é jornalista, fotográfica e roteirista. Esta escrevendo o livro Mandinga em Manhattan, um prêmio do Ministério da Cultura e Fundação Gregório de Mattos, com patrocínio da Petrobras, que é uma continuação do documentário de sua autoria, com o mesmo título, selecionado pelo DOCTC, da Fundação Padre Anchieta, Minc e Irdeb.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

A Cúpula do Calote em Sauípe

Não me venham com historinhas humanitárias...
No Brasil tem mais pobres e miseráveis que no Equador, no Paraguai, e na Bolívia. Aliás, a quantidade de nossos pobres e miseráveis deve ser maior que a população desses países. Talvez até juntos. Agora, alguns chefes desses países, capitaneados pelo 'Futuro Grande Ditador' venezuelano, deflagram a bandeira socialista para dizer que não vão pagar a dívida com o Brasil, que consideram ilegítima.
Ora, ora, se é assim é o caso de todo devedor afirmar que sua dívida é ilegítima (aluguéis, prestação de carros, de escolas etc) e deixar de pagar.
Sei que estou sendo simplista, mas acho que a história pode ser resumida assim: Devo, não nego e não pago. E daí?
E daí? É o que eu, como cidadã brasileira, que paga impostos e sofre com a falta de serviços públicos eficientes, que sofre vendo o nível de violência cada vez maior no país, que sofre vendo meninos de ruas cheirando cola, sem escolas e sem perspectivas, sendo explorados sexualmente, que sofre com mendigos e doentes mentais dormindo nas calçadas de Salvador, que sofre com o lixo nas ruas, quero ver qual vai ser a reação do governo brasileiro.
Pobres por pobres, vamos colocar os nossos em primeiro lugar. E vamos entregar os caloteiros à Justiça Internacional. Retirar todos os investimentos desses países. Vamos parar com essa historinha capciosa e de mentirinha. Vamos ver se o chefão deles vai usar a CHAVE para abrir a porta dos seus cofres.
Enquanto isso na China, após mais de meio século de comunismo razoavelmente bem sucedido, se é que se pode dizer que um regime é bem sucedido onde não há liberdade, o presidente vai à público dizer que só o capitalismo pode salvar o país da atual crise econômico. É mesmo????
É óbvio que não existe regime perfeito, mas o mais perto disso é certamente é aquele onde há liberdade. Mesmo que os que insistem em se apegar ao que comprovadamente não passam de velhas utopias, aleguem que onde há fome e ignorância não há liberdade. (Acordem Alices! ) . Vamos tentar encontrar um sistema melhor. Onde haja honestidade, ética, moralidade, compromisso com o próximo e com o seu país. Por que isso é tão difícil assim?
Ditadores, sejam pequenos ou grandes, se coloquem à direita ou à esquerda, e se chamem Pinochet, Médici, Fidel Castro, Chávez ( como se dá tanta importância a uma criatura tão rasa e óbvia como essa?) não são dignos de apreço.
É claro que se eu morasse na Venezuela poderia pegar cadeia por chamar o "bolivariano" do que acredito que ele é. Mas como aqui a gente ainda tem liberdade de expressão, quem gostar goste, quem não gostar não goste.
Tou me lixando para patrulhas sectárias e reacionárias. Reacionárias, sim!
O IBGE divulgou hoje que a população de 77% dos municípios brasileiros no Nordeste vive na pobreza. No Sudeste, 13,3% das cidades possuíam mais de 50% de sua população abaixo da linha de pobreza e no Norte 28,7% . E aí, Sr. Correa, Sr. Morales e Sr. Lugo?
Caloteiros têm que ser tratados como caloteiros!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

O pessoal tá ligado!


Hoje fui ao Pelourinho consertar e limpar um par de óculos antigos que achei no armário e resolvi voltar a usar. O dono da loja de consertos, que fica ao lado do bondinho desde que eu me entendo por gente, e bota tempo nisso, disse que ficaria pronto em uma hora e meia.



Resolvi bater perna. Adoro o Centro Histórico e fico muito triste ao verificar a situação em que ele se encontra atualmente. Poucos turistas, muitos mendigos e meninos dormindo nas calçadas.



Passei por um grupo de ambulantes que, cheios de colares e lembranças da Bahia conversavam entre si por falta de turistas para correr atrás:



-Tá todo mundo aí. Até aquele que botou os brasileiros para fora....



- Quem não saísse virava escravo!



-Ó paí, véio.... exclamou o terceiro horrorizado.






Percebi que eles falavam da Cúpula dos países sul-americanos que está sendo realizado na Costa de Sauípe, na Linha Verde. Só não sei quem era o tal a quem eles se referiam: o Lugo, do Paraguai; Morales da Bolívia, ou Correa, do Equador.

De todo modo, deu para perceber que o pessoal tá ligado.....

Podem crer: um calote do Equador não será bem visto pelo povão que dá duro para levar feijão prá casa (ou será pá casa?).

segunda-feira, dezembro 15, 2008

O som alto que mata e nos inferniza a vida.....

Estou ficando deprimida com o nível da violência no país, que aqui em Salvador não fica atrás do Rio nem de São Paulo.
A gente entra na Internet e só vê noticias sobre pessoas mortas em assalto e em brigas. Pessoas comuns que poderiam ser nossos vizinhos, nossos parentes, nós mesmos.
O do frentista assassinado em um posto do gasolina no biarro de São Rafael por um doente mental que tinha sido advertido(e não foi pelo rapaz) para abaixar o som do seu automóvel, que estava nas alturas às 2h da madrugada, fazendo valer a Lei Municipal que a própria prefeitura parece ignorar, me deixa duplamente moritificada. Pelo assassinato de um inocente, pela banalidade do crime, e por me identificar com aqueles que não admitem ter seus ouvidos violentados por essa coisa barulhenta, que alguns chamam de "música". Essa coisa nas alturas só pode ser chamada de "música " se fosse no inferno. Lá sim, seria cabível. E faria sentido.
O dono do posto onde ocorreu o crime diz que não sabe mais o que fazer. A olícia se faz de morta quando chamada. Se houver multa é ele quem vai ter que pagar.
Esse caos auditivo ocorre aqui em Salvador o tempo todo. Não sou psicóloga, e, se fosse, não seria isenta para falar sobre o tema.
Mas Salvador muitas vêzes parece o fim do mundo, a barbárie. Tem gente que confunde alegria com barulho e até como sinal, pelos ignorantes e mau-educados, é claro, de ascensão social. Carrão, sonzão! "Saí da invisibilidade", parecem dizer!
Quando vejo um dos inúmeros automóveis que circulam pela rua onde moro com o som tão alto quanto um trio elétrico, que faz estremecer o prédio, e ROUBA a nossa TRANQUILIDADE, chego a perder a esperança no futuro. Essas pessoas nesses automóveis não devem ter um pingo de massa cinzenta, e provavelmente já estão surdas para poderem aguentar um barulho desses .
Fico totalmente sem esperanças de que as pessoas reconheçam seus direitos e deveres, e saibam o que significa respeitar o direito do Outro.
Utopia. Isso aqui em Salvador é para o dia de São Nunca.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Uma estátua para Jorge


Acabei de ler no jornal sobre uma homenagem prestada pela prefeitura do Rio ao baiano Dorival Caymmi . Um dos músicos mais importantes da Bahia ( celeiro de artistas, sem querer ser clichê, mas sendo) Caymmi merecidamente ganhou uma estátua no calçadão de Copacabana, bairro onde morou por 30 anos.
E, vendo isso, fico perplexa com o descaso do governo do nosso estado para com um dos maiores escritores brasileiros, e um dos mais conhecidos mundialmente: Jorge Amado.
As obras e objetos do escritor , que tornou a Bahia conhecida mundialmente em seus cerca de 60 romances, teve que ser leiloada pelos herdeiros no Rio de Janeiro por falta de interesse do governo baiano. É inacreditável! Como isso é possível?
Lembro que durante uma viagem que fiz a Portugal em 2004 , após ter ganho um prêmio da Salvatur, estava num supermercado quando uma moça se aproximou de mim e puxou conversa. Eu disse que era brasileira, ela, portuguesa de uma das ex- colônias, me perguntou de que lugarl eu era. Quando disse que era da Bahia, ela exclamou entusiasmada: “Bela terra!”
“Você conhece?” perguntei. E ela: “Não, mas li os livros de Jorge Amado”.
Pois é. Não entendo essa atitude do governo baiano. Me parece ser uma vingança relacionada às ligações do escritor com governos anteriores, adversários do atual. Se for, é muita pequenez; se não for é muita incompetência.

Governador, Jorge Amado merece não só uma, mas várias estátuas na Bahia, notadamente em Salvador. Ele já fez pela Bahia o que muitos baianos, e falsos baianos, hoje notórios, jamais farão em todas as suas vidas -somadas.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Só faltava....

Como se não bastasse o perigo representado pelos racistas dos EUA, a Al Qaeda também faz ameaças a Obama. Para o grupo terrorista, a vitória de Obama, que mostrou a força do sistema democrático, foi um balde de água fria nas suas idéias atrasadas. Agora, o número 2 do terror conclama seus fanáticos a promoverem novos atentados contra o mundo ocidental, e diz que Obama se dobrou aos brancos. Para quem admira esse tipo de pobreza moral e intelectual, um prato cheio. Obama - e sua campanha mostrou isso- está acima da mediocridade e do medievalismo das ideologias que priorizam raças, religiões, e generos. Por isso foi eleito.E, gostem ou não dos EstadosUnidos, por motivos justificados ou não, o mundo inteiro teve que reconhecer a grandiosidade representada pela eleição de um mestiço com nome africano, para comandar o país mais poderoso do mundo. Inveja mata!
Obama conquistou, com seu discurso moderno e futurista, todos aqueles que realmente desejam a paz e a integração entre povos e etnias, já que pesquisas científicas já provaram que só existe uma raça: a humana.

terça-feira, novembro 18, 2008

Ação afirmativa

Divulgação
PPG/CEPAIA/UNEB PROMOVEM:

CONFERÊNCIA "AÇÃO AFIRMATIVA NO BRASIL: O DEBATE PÚBLICO"

DR. JOÃO FERES JÚNIOR (IUPERJ)

LOCAL: TEATRO UNEB

DATA: 19/11/2008

HORÁRIO: 14:00H

Viva Stanley Ann, mãe de Obama!


Vixe, o caso é sério. Mais uma vez esqueci a senha do meu blog e só após várias tentativas consegui entrar. Queria escrever sobre um artigo do jornalista Uraniano Mota, enviado por uma amiga, sobre a mãe de Barack Obama, uma mulher excepcional, que abria e seguia seus próprios caminhos. Stanley Ann Dunham era dona de si e não permitia que o medo ou as convenções a limitassem, seja como mulher, seja como ser humano. Em 1960, aos 18 anos, conheceu o negro Barack Hussein Obama, numa universidade, namorou o jovem queniano, engravidou e viveu algum tempo com ele. Imaginem o peso que deveria ter o fato de ser mãe solteira e ainda mais do filho de um negro.Imaginem há mais de 40 anos atrás. Naquela época os negros americanos ainda não tinham conquistado o direito ao voto e eram segregados pelos brancos. Mas, Ann era Ann e em 1964 , Stanley Ann voltou à faculdade para se formar e casar à sua maneira mais uma vez: uniu-se a um estrangeiro não-branco, o indonésio Lolo Soetoro, que ajudou a criar Obama até os 10 anos, quando então ele foi viver com a avó materna.

Durante a campanha, Obama, que escreveu um livro sobre o pai a quem vira poucas vezes após completar dois anos, disse que se soubesse que sua mãe iria morrer tão cedo (1995 de câncer no ovário) teria lhe prestado uma homenagem, já que devia a ela e à sua avó tudo que ele era.

Segundo o artigo, Maya Soetoro-Ng, a meia-irmã de Obama, teria afirmado recentemente que a filosofia de vida de sua mãe era "não se limitar por medo de definições estreitas; não erguer muros à sua volta ; e a se empenhar ao máximo para encontrar a afinidade e a beleza em locais inesperados.

Obama por sua vez teria dito que sua mãe era a pessoa mais gentil, o espírito mais generoso que conheceu e que o que ele tem de melhor deve a ela.

Stanely Ann ajudou a mudar a história americana ao ter e ao criar o seu filho, um mestiço, eleito no início deste mês para a presidência do país mais poderoso do mundo. E ajudou também, mesmo de forma subjetiva, um povo a superar seus preconceitos e a tentar mudar para melhor, o destino do seu país.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Queridas amigas


Gente, ontem fui à praia no Farol da Barra com Mariinha e Olívia. Depois fomos almoçar no Bate-Boca. Há muito tempo que eu não ia à uma praia domingo e ficava jogando conversa fora. A praia estava maravilhosa, sol, mar azul e muitas poçinhas. Vamos relembrar nosso tempo de andar em turma?

sábado, novembro 15, 2008

Vamos à fonte

"Depois de longa ausência/ e penosa distancia/ revi a fonte da mata/ de cuja água bebi na minha infancia. E que melancolia nessa emoção tão grata.Ver a constancia das coisas/ na inconstancia/ ver que a poesia /é uma segunda infancia. E que toda poesia vem da fonte da mata". Essa poesia ficou na mnha memória. Não lembro o nome do autor. Acho que é Hermes não sei de quê. Li no Tesouro da Juventude, na adolescência, quando devorava livros, e li todos os exemplares da coleção de cabo a rabo. Acho que o Tesouro faz parte da minha personaldiade.
Pois é, fiquei fora do Útero nos últimos meses. Talvez por não ter o que dizer.Talvez por não querer dizer o que gostaria de dizer. Talvez porque eu nem sempre fale o que sinto, e somente o que penso. Essa falta de vontade de escrever começou, não sei porque, antes de eu sair do Correio da Bahia, onde trabalhei por 18 anos, e continuou depois da minha saída. Saí em julho. Houve uma mudança na estrutura do jornal e quem não se adaptou saiu. Eu saí e também quase todos os editores.
Apesar de ter sido um trabalho que me dava prazer (eu editava Internacional e Brasil) , não fiquei com saudades. Já era hora de mudar mesmo. Os colegas queridos continuam na minha vida. São quase todos. Na verdade, não há ninguém no jornal que eu possa dizer que não gostava, tolerava, detestava coisas assim. Tenho divergências com alguns, pouca empatia com outros alguns, porém nada grave. Coisas de relacionamentos.
Acho que estava um pouco meio enjoada de tudo. Pensei até em trocar o nome desse meu blog, mas minhas amigas não deixaram. Acham o nome divertido.Enfim, vamos fazer como se meu útero estivesse com um mioma e ele tivesse sido extirpado. Volto às páginas. Quero noticias e comentários. Me contem o que eu perdi....

domingo, junho 29, 2008

Levinas?

"O desejo é uma fome que abre novas fomes, e quanto mais fome eu tenho, mais fome eu terei."

domingo, junho 22, 2008

Amizades criminosas

Que chocante essa história do Morro da Providência...
Um tenentinho arrogante prende três rapazes que o teriam desacatado, e, desobedecendo a ordem de um capitão que mandou libertá-los, entrega-os a traficantes de um morro rival como um "presentinho".
Os traficantes toturam e assassinam os "presentes", aparentemente sem nenhum motivo a não ser o fato deles morarem em outra favela, e de lhes ter sido "doados" por um oficial do Exército.
O tenente está preso assim como outros 10 militares que o acompanharam nessa empreitada sádica. Alguns alegam que não sabiam o que estava ocorrendo e que apenas obedeceram ordens.
Ficou claro porém que houve negociação entre os militares e os traficantes, já que os soldados entraram na Mineira num caminhão do Exército , sem terem sido recebidos a tiro, o que é o esperado infelizmente, e foram recebidos pelos traficantes que já os aguardavam.
Além das questões óbvias relativos ao desrespeito ao papel do Exército, choca ver com tanta clareza a promiscuidade existente entre os que são pagos para proteger os cidadãos, e respeitar as leis, e os criminosos. Que a Justiça cuide deles com rigor, o que acredito que fará já que a ação do tenente desmoralizou e manchou a credibilidade do Exército.
Assusta também os moradores da Providência saber que entre os soldados, que estão lá para dar proteção aos trabalhadores de uma obra, que alguns chamam de eleitoreira, estão moradores da Mineira, onde vivem traficantes rivais dos traficantes da Providência. E daí? O que moradores comuns teriam a ver com a guerra de criminosos? Ao que parece, tudo.
O Rio, e a Bahia também, começam a lembrar a barbárie servo-bósnia-croata e a barbárie africana onde pessoas agridem e matam vizinhos, conhecidos, por pertencerem a grupos étnicos diferentes dos seus. Confesso que tenho medo do que pode acontecer.
A sociedade tem que tomar uma providência urgente para pôr fim a esse estado de coisas.
O mal deve ser cortada pela raiz. Que essa conversa que todo mundo já ouviu sobre a necessidade da Educação ser levada a sério no país saia da retórica e se transforme em realidade. Antes que passemos todos a viver em estado de sítio. O pessoal das favelas e dos bairros pobres, infelizmente, já vivem essa realidade. E precisam sair dela.

quarta-feira, junho 18, 2008

Do meu planeta....


Ai, que alívio...

Consegui conectar com a internet depois de quase 20 dias de problemas com a Velox.

Um técnico veio até aqui e disse que o problema era no cabo (quando ele chegou o cabo estava conectado ao telefone). Só se eu fosse idiota para achar que poderia usar o telefone e a internet no mesmo cabo ao mesmo tempo. O problema não foi aqui em casa, garanto.
Mas, deixa prá lá. Hoje estou zen. Encontrei duas almas afins: uma na fila do banco que protestou quando um homem passou na sua frente (era um funcionário que mostrou o crachá prá ela), e outra no ônibus- continuo andando de ônibus( às vezes acho que é uma maldição e outras que é uma benção). A do ônibus pegou o celular e ligou para o número fornecido por uma ambulante, como se fosse de uma creche para a qual ela estava arrecadando dinheiro com a venda de canetas.

Não vi o resultado por que saltei antes, mas, como sou curiosa, também liguei. Demorou um pouco e uma voz feminina atendeu. Percebi que a linha era de telefone público e perguntei se ali era um orelhão. Disse que sim. Aí perguntei: "tem alguma creche por aí?".A mulher respondeu; "tem aqui em frente". Pode ser mentira, pode ser armação, mas não importa. Afinal, quem pagou levou uma caneta. E eu fiquei satisfeita por constatar que tem muita gente como eu, de saco cheio de ser desrespeitada e tratada como débil-mental.

Falar nisso, a SET colocou uma faixa para pedestres na rua Conselheiro Pedro Luís, na esquina com a rua Vidal não sei o quê.

Deve ter sido para enfeitar o asfalto. Os motoristas não só não param, como sequer diminuem a velocidade.

Esta semana uma senhora quase foi atropelada (fui eu ). Indignada, mostrou a faixa para o motorista que fez um sinal obsceno para ela. O pior é que a dita cuja respondeu com o mesmo gesto . Que vergonha.

Tomara que a SET pegue esse descarado em alguma esquina, e que ele tenha que parcelar a multa em 12 vêzes. Tomara.. A SET bem que podia colocar um pardal na área . Iria ganhar uns trocados fáceis, fáceis...

Eu continuo esperando com muita fé, e muito estresse, que um dia esse povo tome jeito.....