terça-feira, novembro 13, 2007

Mensagem de Socorro

Às vezes, quando me encontro com velhos amigos, lembro-me de como o tempo passa depressa. E isso faz com que eu me pergunte se utilizamos nosso tempo bem ou não.
A utilização adequada do tempo é de extrema importância. Enquanto tivermos esse corpo e especialmente esse assombroso cérebro humano, creio que cada minuto é algo precioso. Nossa existência diária é repleta de esperança, embora não haja nenhuma garantia quanto ao nosso futuro.
Não há nenhuma garantia de que amanhã a esta hora estaremos aqui.
Mesmo assim, trabalhamos para isso apenas com base na esperança.
Portanto, precisamos fazer o melhor uso possível do nosso tempo.
Creio que a melhor utilização do tempo é a seguinte: se for possível, servir aos outros, a outros seres. Se não for possível, pelo menos tentar não prejudicá-los.
Creio que esta é toda a base da minha filosofia. Às vezes, quando me encontro com velhos amigos, lembro-me de como o tempo passa depressa. E isso faz com que eu me pergunte se utilizamos nosso tempo bem ou não. A utilização adequada do tempo é de extrema importância. Enquanto tivermos esse corpo e especialmente esse assombroso cérebro humano, creio que cada minuto é algo precioso. Nossa existência diária é repleta de esperança, embora não haja nenhuma garantia quanto ao nosso futuro. Não há nenhuma garantia de que amanhã a esta hora estaremos aqui. Mesmo assim, trabalhamos para isso apenas com base na esperança. Portanto, precisamos fazer o melhor uso possível do nosso tempo. Creio que a melhor utilização do tempo é a seguinte: se for possível, servir aos outros, a outros seres. Se não for possível, pelo menos tentar não prejudicá-los. Creio que esta é toda a base da minha filosofia.
Dalai Lama , em A Arte da Felicidade.
(Esta mensagem foi enviada pela minha romântica amiga Socorro que ainda acredita em Fidel e e Chávez).

terça-feira, outubro 02, 2007

"Aqui estamos nós, esperando por vós".

A frase está escrita numa placa
de metal, colocada na entrada do
Cemitério de Lençóis, na
Chapada Diamantina.
De uma simplicidade absoluta,
lembra propaganda de turismo,
e faz com que a morte não
pareça tão amedrontadora.
Apenas um lugar onde todos
teremos que ir um dia,
e onde haverá amigos
nos esperando.

sexta-feira, setembro 28, 2007

A queda

Eu escrevi, certa vez, que andar de ônibus em Salvador é um resgate cármico. É claro que exagerei um pouco. Às vezes me divirto muito com as figuras que aparecem no coletivo, e outras vezes também distraio os passageiros. Como no dia em que despenquei dos meus saltos altos do último degrau do ônibus, e cai em frente a uma parada cheia de gente.
Por sorte botei as mãos na frente, não bati a cabeça (já pensaram? Tudo ia virar desculpa: ah, foi porque ela caiu e bateu com a cabeça...), arranhei as mãos, os joelhos e 'dei um jeito' no tornozelo- agora me ocorreu: por que se diz dei um jeito no tornozelo? jeito de quê?
Bom, resolvi bancar a despojada, levantei com o que sobrou da minha dignidade (a maior parte ficou no chão) sob o olhar de algumas pessoas espantadíssimas, como se fosse um fato muito raro alguém despencar de um transporte coletivo.
O tornozelo doía e pensei em ir a uma clínica ali perto. Fui andando, mas no caminho desisti. Já que dava prá andar, melhor ir trabalhar. Se o tornozelo inchasse eu procuraria um ortopedista.
Cheguei na redação mancando, pálida, e com uma cara de coitada que não costumo ter. Logo, me perguntaram por que eu estava mancando (o pessoal da redação é muito curioso).

Eu expliquei: cai dos degraus do ônibus e levantei a barra da calça até o joelho para mostrá-lo ferido.
Oh, como foi? Perguntaram mais uma vez...
Expliquei: eu ia descendo do ônibus, quando vi um casal parado no ponto, e meus olhos foram desviados para o brinco que a menina usava, vermelho e muito original...
"Que brinco bonitinho", pensei antes de cair de cara no chão. E aqui estou eu, sangrando, arranhada e humilhada.
O quê???? disse uma colega virginiana. “Eu já estava ficando solidária com você. Mas não estou mais. Você caiu por motivo fútil’”.
Todos pareceram concordar, e eu botei minha viola no saco e desci para o Serviço Médico, para limpar os arranhões. E como não se pode desfazer o que já foi feito, resolvi descer em outra parada por algum tempo...

quinta-feira, setembro 13, 2007

Ando preguiçosa, inquieta e lenta.
Não quero ler, nem assistir TV.
Será que a esta altura,
ainda tenho
o direito de
não saber o que quero?

sexta-feira, agosto 17, 2007

Eu também....

" ORAÇÃO DAS MULHERES

Até agora o meu dia foi bom!
Não fiz fofoca, não perdi a paciência,
não fui gananciosa, sarcástica,rabugenta,
chata e nem irônica.
Controlei minha TPM,
não reclamei, não praguejei,
não gritei, nem tive ataques de ciúmes.
Não comi chocolate.
Também não fiz débitos
em meu cartão de crédito
e não dei cheques parcelados.
Mas peço a sua proteção, Senhor, pois estou para levantar da cama a qualquer minuto".


Recebi este texto via orkut de minha amiga Rosa de Luxemburgo, que não aguentou a onda de calor na Europa, e ,saiu do túmulo para me mandar este textinho, que devo ficar recitando todos os dias, e quem sabe colar na porta da geladeira. Não sei quem é o autor, mas me identifiquei muito. Achei mesmo que é a minha cara, e acredito que é a cara também da maioria de voces .

terça-feira, agosto 07, 2007

Mijões não são milhões

A rua onde moro é muito tranqüila apesar de estar num dos bairros mais up´s da cidade.
Nos dias de semana à tarde, pouca gente nas ruas, só porteiros, e alguns meninos jogando bola. Tem igreja católica, evangélica, centro espírita e um monte de bar.
Outro dia fui no centro fazer doação de roupa usada (porque, entre outras coisas, guardar energia parada em casa dá azar) e quando saí de lá quase me bato com um homem que vinha em minha direção. Ele se assustou e fez um gesto brusco. Tomei o maior susto.
O sujeito que estava bem vestido, e não era nenhum garotinho, simplesmente vinha urinando pela calçada a passos largos. Quando topou comigo também se assustou e colocou bruscamente o instrumento (devo colocar o pênis? Não sei...) dentro das calças. Fiquei pasma. Depois falam que pobre é que urina na rua.
Ainda com raiva percebi um rastro comprido de urina: ele vinha urinando desde o início da rua, e não se deu ao trabalho nem de parar e se encostar a um canto.
Contudo, me deixa satisfeita que, ao me ver, de sopetão, ele tenha colocado o 'instrumento' para dentro da calça, e se molhado todo. Não iria mais poder ir até onde pretendia com tanta pressa. Foi inacreditável!
Inacreditável também é a deportação pelo governo brasileiro dos boxeadores cubanos que cometeram o horrível crime de querer escolher onde e como viver.
Fiquei espantada, também, de não ver o movimento(?) de Anistia e Direitos Humanos, sempre tão ciosa em defender os oprimidos, se pronunciar....
Por que será? me perguntei enquanto meu estômago se revirava, e precisei tomar um sonrisal. Talvez porque Cuba seja o Edén dos que não nasceram lá, só vão lá quando querem, e podem sair quando bem entenderem.
Na verdade, que péssimos cidadãos esses, que querem ser homens livres!!!
Também, talvez, porque Fidel Castro é uma religião, e fé, como todos sabem, não se discute. Pega mal.
Porque me lembrei do mijão (desculpem por colocar esse termo chulo, mas não encontro outro mais adequado) e do governo brasileiro?
Ambos me enojam.

domingo, agosto 05, 2007

Antes de ser Pai, Deus é Mãe.

terça-feira, julho 31, 2007

A felicidade é egoísta.
E daí????

Pode-se escrever um

monte de letrinhas
sobre isso.
Mas quem pode me
fazer feliz, senão
eu mesma?

sexta-feira, julho 27, 2007

Lua nova


Noite clara,

lua grande,

a rua Alagoinhas

cheira a madressilvas.

Lembro de uma noite

na praia de Trancoso,

quando deitada na areia,

eu vi o espaço

de cabeça

para baixo.

Eu, as estrelas, o

barulho do mar,

ansiedade, e medo.

sábado, julho 14, 2007

Para que facilitar, se a gente pode complicar?



O mundo ocidental deve muito aos gregos. Não só pelos valores como democracia e liberdade, mas também pela noção de beleza. Afinal, foram os filósofos gregos que começaram a pensar sobre estética através de objetos bonitos e decorativos produzidos em sua cultura. Platão entendeu que estes objetos incorporavam uma proporção, harmonia e união, tentando entender estes critérios.
Aristóteles achou, da mesma forma que Platão, que os elementos universais de beleza era a ordem, a simetria, e a definição Uh Um (não sei porque...Isso parece mais o grito de guerra dos funkeiros).... A estética, palavra derivada do grego aisthésis quer dizer percepção, emoção.
Há quem costume achar que arte é tudo o que é belo. Sendo assim, para essas pessoas deixa de ser arte tudo aquilo que não parece bonito ou que não emociona. É comum ouvir pessoas exclamarem em exposições de pintores abstratos: “Vou comprar tinta e dar para o meu filho. Isso ele também sabe fazer”. Será?
Pessoas que dizem isso precisam entender que a criação tem uma intencionalidade, mesmo que o seu autor a desconheça. A arte nos leva onde devemos ir para que possamos nos ver melhor. Ou como disse o professor de Filosofia Antonio Saja: “o mundo é tão estranho que o Homem procurando clarificar cria a arte”.
Faz sentido. Mas, como codificar um emaranhado de formas geométricas e cores berrantes?”, perguntaria o amigo cujo filho pode fazer um Picasso...
Eu poderia dizer: “ você não precisa entender , nem decodificar. Só precisa sentir”.
Ele poderia responder: “ Ainda bem que não paguei para ver essa exposição”.
Às vezes, para alguns, é difícil entender que a arte não é uma questão técnica, e sim uma questão filosófica. Daí o porque dela estar atrelada a conceitos e valores como bonito, bom, ético e agradável.
Saja disse que na Antiguidade, os gregos prescreviam peças de teatro para os doentes para que eles pudessem se ver e daí não precisassem tomar remédios. A função da Arte é a cura. Não apenas a cura individual, mas a cura civilizatória. Afinal, “aquele a quem você busca é você” que pode estar nas páginas de um livro, num riscado numa tela, numa melodia...
Mesmo que não tenha sido você a escrever o tal livro, a pintar a tal tela, na tal melodia...
Filosofar, ao meu ver é afiar a mente. Nem que seja para complicar, porque, como disse o professor Saja "para que facilitar se a gente pode complicar?"






quarta-feira, julho 11, 2007

Na Terra da Onça Pintada


Os sim´s e os não´s ditos.
Os sim´s e os não´s ouvidos.
O medo do não ainda faz minha cabeça...

quarta-feira, julho 04, 2007

Banzo

Não gosto de sentimentalismos baratos.
Nem caros.
Não sou saudosista.
Lembro com satisfação
o que foi bom,
e com um pouco de raiva
o que não foi,
e que eu podia ter evitado,
e não evitei.
O passado fica nisso.
O inevitável não me causa dor.
Nem tampouco o irremediável.
Mas hoje , por acaso,
ouvi Elis Regina cantando
eu quero uma casa no campo.
E sentí uma saudade besta,
e nova,
da década de 80, do Rio,
das festas, dos meus amigos, dos meus
livros,
e dos meus discos de vinil.

terça-feira, junho 26, 2007

O fim da tarja preta

Acho que os psiquiatras e os laboratórios não vão gostar muito desta pesquisa :

Comer duas ou três bananas por dia é um excelente remédio para superar a depressão, segundo um estudo elaborado nas Filipinas, que destaca o alto conteúdo do "trytophan", um antidepressivo natural, na fruta. A conclusão é do Instituto de Pesquisa de Alimento e Nutrição (FNRI). A pesquisa assegura que os níveis de "trytophan" nas bananas mantêm os níveis de serotonina no cérebro e melhoram o humor das pessoas.O FNRI recomenda a ingestão de duas ou três bananas por dia, equivalentes a entre 20 e 30 gramas de carboidratos e a entre 80 e 120 quilocalorias.Os pesquisadores filipinos observaram outras virtudes da banana para a saúde, como os altos níveis de vitamina A, C, K e B6.
Acho que os psiquiatras e os laboratórios não vão gostar muito desta pesquisa
Chiquita Bacana é quem estava certa.

terça-feira, junho 19, 2007

Nada além

Hoje sonhei com o nada
O nada não tinha nada
Há um pouco de niilismo
Em minha alma....

domingo, junho 17, 2007

Vocês não entendem quase nada do que digo...





Quase que eu apanho ontem, durante um jogo de cartas, de amigas indignadas com esta crônica abaixo, por que eu disse que sou parda, mestiça e que me considero negra, índia, e branca, pelo que conheço dos meus antepassados, todos provavelmente também miscigenados.
Dizer que sou parda para alguns é como dizer que sou branca. Em suma, uma ofensa a todos os negros do mundo. Esse tema é mesmo espinhoso.
A discussão veio à tona depois uma pesquisa que foi feita com negros proeminentes do país, publicadas na imprensa e na internet, que mostrou que praticamente todos eles tinham genes europeus em menor e maior quantidade.
A quem pode interessar uma pesquisa como esta, perguntam alguns, pensando em complôs e conspirações contra a causa do negro.
Que tal à ciência? pergunto eu.
E à quem não interessa constatações sobre o perfil do povo brasileiro? A quem não interessa? .
A verdade e a política, todo mundo sabe, não andam de mãos dadas.
No que uma pesquisa como esta pode atrapalhar a luta pelos direitos do povo negro? Se a luta se baseia no combate ao preconceito e à discriminação o que significa substituir um preconceito por outro, uma discriminação por outra, e o pior: a auto-discriminação ?
Enquanto a polêmica se instalava , eu confundia a minha adversária com minha parceira, e por pouco não passo cartas para ela. Glória Maria surge na tela chamando para o Fantástico debaixo de críticas "Ela é uma branca", dizem.
Por que ela seria branca? Por que não é pobre? Negro tem que ser pobre? pergunto provocante me distraindo do jogo e dando uma canastra real para minhas adversárias.

Não quero ir embora, nem quero dar o fora

Vocês não estão entendendo quase nada do que eu digo. Para mim não importa ser branca ou ser negra. Posso ser qualquer uma dessas coisas. Aliás, eu sou essas duas coisas. O que acho é que não querer se integrar por ressentimento, ou melhor, por medo de ser discriminado, é uma atitude infantil. Portanto, quem sabe, é melhor nos segregarmos num gueto e permitir que os 'brancos brasileiros' nos digam onde devemos entrar, os locais que podemos ou não podemos ir, o tipo de arte de que devemos gostar, e o de pessoas com as quais podemos nos relacionar de igual para igual. Será?
É o branco, o negro, o japonês, ou o índio - em suma o outro- é quem vai dizer quem sou eu?
Eu também tenho alguns preconceitos. Um deles: não gosto de muçulmanos e acho desprezível a limitação individual e a opressão às mulheres dessa religião. Mas, digamos que eu venha a ter um vizinho muçulmano, e todo dia tope com ele.
Vou acabar dizendo bom dia. Talvez um dia troque algumas palavras. E quem sabe até o convide para a tomar um chá na minha casa, ou aceite tomar chá na casa dele. Ele e seus costumes já não serão tão estranhos para mim, nem eu para ele... Não é isso que me tornaria muçulmana( nem nada, Deus me livre) , assim como ele (a) não vai passar a pensar como eu. Vamos provavelmente nos tolerar mais e continuar apenas a nos dizer bom dia.
Agora, não vou discriminar uma pessoa porque ela é preta, branca, rica ou pobre, gay, ou lésbica, feia ou bonita... Mas certamente vou continuar querendo distância dos chatos, burros, e mau-caráter, ,entre outras coisas que não me lembro agora, por que hoje acordei com uma felicidade amedrontadora. Talvez seja a nova dose de bupropiona que esteja fazendo efeito.
Mas, se para algumas pessoas de quem gosto, que respeito e que são inteligentes, solidárias, engraçadas e realizadas social e profissionalmente, é importante que eu me declare negra, e não parda ou mulata, está certo: Eu sou negra, negra, negra como um dia de verão...

Em todo caso, o que digo é que as pessoas deveriam perdoar, esquecer o passado, e não permitir que coisas como as que aconteceram- e que acontecem ainda eu sei- continuem acontecendo, machucando e atrapalhando o presente. Vamos fazer como as crianças quando caem e se machucam , que choram, levantam, esquecem a dor, e voltam a brincar...
Isto também é uma atitude política.
Ah, e para quem pensa que eu censuro os comentários no meu blog não, não, não. Pelo contrário, fico frustradíssima quando não vejo nenhum. Já mexi no blog, já liberei tudo, e em suma, não sei o que está acontecendo.

terça-feira, junho 12, 2007

Sobre negros e brancos...

Todos os dias recebo alguma coisa de pessoas que querem negar a miscigenação no Brasil. Ou somos negros ou somos brancos. E para provar que não somos alienados, que somos boas pessoas, que não gostamos da injustiça e do preconceito, temos que definir de que lado estamos ( o que é isso uma guerra civil?) .
Não sei por que o movimento negro( que conheço) tem tanta raiva da miscigenação do brasileiro. Me mandaram recentemente o texto do blog de Nei Lopes.
Não sei quem é ele, como provavelmente ele não sabe quem sou eu. E olha, temos até o mesmo sobrenome.
Achei o texto dele interessante, embora bata num discurso, que para mim(PARA MIM) é ultrapassado.
Esse conceito de que raça não existe já é do conhecimento de antropólogos há algum tempo. Se é pouco divulgado , ou pouco aceito, é porque existem interesses políticos nisso. Interesses dos ditos brancos e dos ditos negros em provar que não se misturam, o que é bem difícill no Brasil, já que quem tem a pele parda ou marrom, como eu, obviamente é produto de miscigenação.
É verdade que o racismo e a discriminação -por cor, gênero ou classe social são coisas abomináveis.

Mas abominável também é negar a realidade deste país.
Abominável é que alguns MNUs (nem todos) neguem esta realidade, não de forma cientifica, mas por medo de perder espaço.
Talvez fosse o caso de mudar o foco da luta. Lutar pelos direitos que todo ser humano tem, e que todos os cidadãos brasileiros também deveriam ter, independente de sua origem.
Sei que a discriminação dói, embora por ser PARDA (é a cor da minha pele, o que fazer?) e sempre tenha sido classe média, tenha tido uma educação classe média – no tempo em que a classe média era só uma e não como agora-A, B e C- e meus parentes brancos e negros e pardos nunca tenham me rejeitado, eu nunca tenha me sentido discriminada.

Mas isso não quer dizer que eu não entenda, nem sinta como é doloroso ser discriminado pela cor da pele, ou por gênero. O que eu não sinto por mim, posso sentir pelos outros, afinal acredito que realmente só existe uma raça (como diz a ciência moderna: a raça humana). Acho que discriminação é abominável e revoltante...
Mas existe diferença entre revolta e ressentimento. Segundo Albert Camus, filósofo francês de origem argelina, o homem ressentido é aquele em que a consciência de sua situação gera apenas a negação do valor da importância do outro, o desejo de eliminar o outro, a inveja.
Já o homem revoltado luta para transformar a situação, mas não quer ser o outro, nem fazer com o outro o que acha que fizeram com ele. Ele busca se impor como ele mesmo, sem negar
Diferenças nem semelhanças. Ele impõe o seu valor seja ele como for.
O que sinto, por parte de alguns militantes negros, é uma mistura de raiva, ressentimento, e até inveja. Isso para mim, não é racional. É emocional. Não diminuo a dor dos que são vítimas do de preconceito. Eu talvez até já tenha sido discriminada; provavelmente fui. Mas não me senti pequena nem diminuída em nenhuma situação e portanto não percebi a discriminação. E se eu não percebi, não existiu. Só existe aquilo que nossa consciência nos mostra. E consciência é uma coisa muito ampla e complicada.
Lamento o que vejo muitas vezes: o sentimento de revanche que considero pequenez. Querer dividir este país em um país de negros e brancos, como os EUA, negar nossas diferenças, é pequenez.
Acho que o caminho é da luta para conquistar espaços e fazer valer os direitos, mas que também é preciso esquecer a rejeição, o sentimento de inferioridade (que vai da negação da miscigenação ao desejo de agir com o branco, da mesma forma como os brancos agiram com ele).
Besteira esse negócio de dizer sou negro então sou melhor que o branco.
Alguns negros são melhores que alguns brancos, assim como alguns brancos são melhores que alguns negros. Algumas mulheres são melhores que alguns homens e alguns homens melhores que algumas mulheres
Vale lembrar que na maioria das vezes eram negros que capturavam outros negros para vendê-los ao mercador branco. Era costume tribos vencedoras tomarem os perdedores como escravos. Sei que isso não justifica o sistema escravocrata no país, mas explica.
Acho que se eu fosse mais diplomata, faria de conta que também acho que porque o negro foi escravizado, tratado cruelmente, discriminado e injustiçado, tudo que vier de um negro,ou de um grupo negro, é o certo, é a luz, é a verdade.
Então por que eu sou parda, sou apenas negra (apesar de meus antepassados brancos e índios) e tenho que odiar os brancos, ou os assim considerados, e me manter afastada deles e de tudo que os representam seja tecnologicamente, na arte ou na economia?
Acho isso uma forma de pensamento muito rudimentar.
O que sei, e a história pode comprovar, é que todos nós, descendentes de negros no Brasil, somos descendentes de perdedores, ou seja, das tribos que perderam a guerra ou membros de tribos mais fracas.
Não vou abdicar do meu lado branco, nem índio, como não abdico do meu lado negro, para agradar ninguém. Nem negros ou brancos, nem gregos nem troianos, nem gaúchos nem baianos.

Se eu não for verdadeira comigo mesma vou ser com quem???
Chega de dor, de medo, de rancor.

Sou baiana. Sou brasileira.
Vamos pra frente que atrás vem gente.

quinta-feira, maio 31, 2007

"Calar-se é deixar que acreditem que não se julga nem se deseja nada, e em certos casos é, na realidade, nada desejar."
Albert Camus


O que realmente desejamos?
Porque o desejamos?
Desejamos por que desejamos ou desejamos aquilo que as pessoas acham que é desejável?
Qual o valor de um desejo?
Vale a pena desejar?
Será realmente mais sábio
não desejar?
O que dói mais :a má consequência de um desejo, ou o desejo não realizado?

terça-feira, maio 22, 2007

" Pior seria, se pior fosse".
(A frase estava no pára-choque de um carro.)
Este humor e a forma de enfrentar os problemas do povo brasileiro me encantam e divertem..
Um dia daremos certo.
Então poderemos dizer:"melhor será, quando melhor fôr".

sábado, maio 19, 2007

Só chamando Brigitte






O cão da foto é Lobo, um fofo abandonado



Li numa agência de notícias que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, mandou investigar os métodos de tratamento dados no país aos cães de rua, comovido por um pedido neste sentido da atriz francesa Brigitte Bardot.
Brigitte, ícone da sensualidade feminina na década de 60, virou uma senhora chata e conservadora, cuja maior preocupação além de praticar o exercício da xenofobia nas últimas décadas, é, diga-se a seu favor, a luta pela proteção aos animais.
A oposição egípcia criticou a carta da atriz ao presidente dizendo que ela se preocupava mais com os cachorros do que com os palestinos. Sabemos que o problema dos palestinos é grave, mas eles próprios são capazes de resolvê-los, e vão resolvê-lo quando assim o decidirem. A questão é que existem palestinos e palestinos e palestinos...
E eles precisam se entender como povo e como nação, o que não está acontecendo.
Mas os cães também precisam de alguém que zele por eles. Não chegaria a dizer, como o ex- ministro Antonio Magri, que cachorro também é gente, embora às vezes pareçam ser.
E gente da melhor espécie. Quem tem ou já teve um cão sabe do que estou falando.
Dá pena ver os cachorros de ruas daqui de Salvador. Também são muitos, e simpáticos. Há aqueles que param na nossa frente e nos olham como se esperassem que disséssemos "venha comigo". É uma situação difícil. Tenho uma irmã que recolhe cães. E outra que recolhe gatos. Eu evito olhar os cães nos olhos quando eles me olham, aliás, evito olhá-los com a cara de fome e o rabo abanando.
Os gatos não me comovem tanto. Eles não nos olham fixando o olhar, como se estivessem nos vendo em nossa individualidade. Além disso, já tenho o meu, que chegou contra a minha vontade, e que agora faz parte da família. Uma gracinha, o poderoso Hulk, um pinscher de um quilo e meio.
Não sei o que fazem com os cães de ruas daqui.Sei que tem um grupo de protetores que os recolhe, quando podem, e o levam a um abrigo no subúrbio de Paripe administrado por boas almas, com pouco dinheiro, que fazem o possível e o impossível para cuidar deles, até que apareça alguém que os adote.
Falar nisso tem uma protetora que está em maus lençóis. Precisa se mudar e tem 12 cães e alguns gatos que ‘resgatou’das ruas (como eles dizem) precisando ser adotados. Se alguém se interessar os telefones dela são: 71- 3373.8226 e 99154713. O blog é www.associacaoadaoecao.blogger.com.br..

E, se Brigitte gosta mais de bichos do que cães é um problema dela. Acho que ela bem que podia dar um pulinho aqui. Certamente alguém diria que ela estaria se preocupando mais com os cães do que com os meninos de rua...
Mas, cada coisa é uma coisa...Sobre os meninos de rua eu falo depois...

terça-feira, abril 24, 2007

A verdade dói

Foto: Hieros Vasconcelos Rego

"A verdade dói", diz o ditado. De qualquer forma acho que devemos encará-la de frente.

Para uma bairrista como eu, doeu ver a mensagem escrita na parte interna de um ônibus da Pituba/Campo Grande, por alguém que se assinou "Zé" e "turista enganado" que dizia:

"Salvador é uma cidade feia, suja e maltratada, cheia de favelas, pivetes e mendigos. Os ônibus são velhos e o sistema hospitaleiro é péssimo".

Foi como um tapa na cara, eu que acho Salvador uma cidade linda, cheia de luz e encanto.

Meu Deus,será que eu acredito no mito criado por Jorge Amado, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Caribé, Calazanes Neto e outros milhares de baianos bairristas e encantados por uma Salvador que conseguem ver apenas com o coração?

Acredito. E como diz outro ditado "o amor é cego".
São esses casos em que a gente só vê o que quer ver.

Comentei sobre isso com uma colega de pós, engenheira ambiental, que também ficou chocada.

"Eu nunca tinha visto Salvador assim", disse ela.

De fato, os turistas geralmente adoram Salvador. Principalmente os jovens e aqueles que vem em excursão e vão de ônibus de turismo para os pontos pitorescos da cidade, saltam , fotografam, voltam para o ônibus, se divertem em algum lugar interessante, voltam para o hotel e de lá para suas casas.

Quem mandou "Zé" vir por conta própria, escolher uma pousada ou hotelzinho e andar de ôninus pela cidade?

Viu o que não devia. Ou devia.
Que Salvador é uma cidade feia e bonita. Talvez mais feia. Com alguns locais arrebatadores como a descida da Avenida Contorno, a paisagem entre o Cristo e o Farol da Barra, a Penha, o Abaeté e o Porto da Barra, é claro.

Que Salvador está cheia de mendigos, fezes de gente e de cachorros pelas ruas, água empoçada junto aos meio-fios, pivetes, ladrões; que o sistema de transporte coletivo realmente é ruim e que o paraíso não é aqui. Apesar do sol, do calor e do ar de sorriso quase constante nos rostos das pessoas.
Dói mesmo. Ver que um estranho tem razão com seus olhos estão destituídos de poesia e de ilusão.
E que nós nos deixamos enganar pelo marketing por amor. Como qualquer apaixonado, bobo e carente que vê a perfeição no objeto amado.

Pobre Salvador tão mal cuidada. Pobre de nós, cegos, que aceitamos a mentira de viver na cidade mais linda, ou uma das mais lindas do mundo.

Não há beleza onde há miséria e sofrimento. Nem onde a miséria cristalizada se torna algo tão banal que não chama mais a atenção.

Triste Salvador e seu povo que mora na periferia , nos barracos, nos bancos de praça.

Triste Salvador, voce me deixa triste.

terça-feira, abril 17, 2007

Não deu em nada....

Fui assistir '300' e saí decepecionada.
É muito boroboró para um filminho daquele.
Fora a grandiosidade da produção o filme é apenas o que, certamente, pretendia ser: uma história em quadrinhos para aficcionados do gênero.
Que desperdício! 300 homens como aqueles, cheio de coragem, e valores, morrerem só por arrogância do rei, porque obviamente o máximo que conseguiriam, e conseguiram, seria retardar a passagem dos persas. Se houvesse uma estratégia por trás disso tudo bem. Mas retardar por retardar não daria em nada.
Leônidas era um tonto e a rainha dele uma, como diria, loura?
Só uma loura, dentro das caricaturas criadas do nada, como a criada entre nós para as louras, coitadas, explicaria as atitudes daquela mulher sem estofo.
Prestar favores sexuais a um notório mau-caráter e adversário do marido para conseguir apoio no Conselho... Burrinha...Contraditória...
Onde estavam seus conceitos de honra? Comercializar o corpo é para prostitutas não para rainhas. Deu no que deu. O fato dela ter matado o detrator não melhorou em nada a situação.
Enfim, não sei porque os persas ficaram tão p com o filme. Besteira pura.
Só batalhas e combates para quem gosta de ver briga. Se bem que briga mesmo era naquele tempo onde os homens lutavam para valer, e sobreviver uma mera possibilidade . Olho no olho, mau hálito no nariz dos outros. Era assim.
E nfim, não sei o que me desgostou mais nos quadrinhos filmado. A besteira dos 300 ou a burrice da rainha. Rodrigo Santoro estava bem, mas nem tanto. Fantasiaram demais o pobre do Xerxes, que ficou parecendo um travesti.
Adoro épicos, mas os históricos! E com personagens que valham a pena. Já viram que meu problema com o filme foi, na verdade, com os psersonagens, não é?


Fiquei quase um mês sem escrever. Estava meio sem saco, triste, com perdas recentes (ainda estou). Mas o principal é que tinha esquecido a minha senha e não conseguia entrar no blog. Dá para acreditar?

domingo, março 18, 2007

As cinco lembranças



"Eu pertenço à natureza do envelhecimento; não há nenhum modo de escapar do envelhecimento".
"Eu pertenço à natureza das doenças; não há nenhum modo de escapar de sofrer alguma doença".
"Eu pertenço à natureza da morte; não há nenhum modo de escapar da morte".
"Tudo aquilo que me é querido e todos que amo pertencem à natureza da impermanência. Não há nenhum modo de evitar me separar deles algum dia".
"Minhas ações são meus únicos verdadeiros pertences. Eu não posso escapar às conseqüências de minhas ações. Minhas ações são o solo sobre o qual eu piso".


Gatha buddhista segundo versão da escola Thien Lam-Te


(Angela José, cineasta e jornalista, amiga de longas datas, teve um aneurisma cerebral e faleceu em Cabo Frio no dia 13 de março. No dia 20, terça-feira, serão celebradas duas missas em sua memória no Rio : 11h: Igreja da Lampadosa – Av. Passos, 15 – Praça Tiradentes
18h: Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Rua Benjamin Constant, 42 - Glória)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A festa que não foi....

O carnaval passou e deixou na cidade um cheiro de lama e medo do futuro.
Os excluídos saíram às ruas para tomar na marra o que achavam que devia lhes pertencer.
Assaltaram ônibus, saquearam passageiros, agrediram e assustaram..
Tenho uma amiga que gosta de dizer que vivemos num apartheid. Nunca levei isso a sério porquea afirmação dela me remetia a segregação sul-africana, diferente da nossa.
Mas, descubro que ela tem razão.
E pressinto que os que estão no fim da cadeia alimentar vão engolir os que estiverem qualquer nível acima deles. É a realidade de agora.
O carnaval costuma mostrar as coisas que se esconde.
É a busca da satisfação, da alegria, do prazer.
Para alguns é mais do que isso.
É a busca da revanche, da vingança, a explosão do ódio e do ressentimento.
E apesar disso tudo, deveria ser uma festa linda de um povo que , acredito, ainda sabe se divertir.
Que outro país do mundo pára quase uma semana numa espécie de grandes férias coletivas para brincar, curtir, relaxar, descansar, enfim, parar a rotina de fato?
O carnaval deveria ser uma festa.
Não é mais.
Já foi?
Que pena.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Se o santo tem pés de barro, melhor deixar que eles quebrem....

domingo, fevereiro 11, 2007

Hoje teve sol, andei na praia e mergulhei numa espécie de lago salgado da Praia da Paciência que, aliás, estava muito suja por causa da chuva que caiu na madrugada.
Poderia dizer que foi um dia bom. De fato foi.
Mas não me sai da cabeça o menino que foi arrastado fora do carro por ladrões no Rio, ou o caso aqui em Salvador, do funcionário público, pai de família, que "incomodava" sua chefia por se recusar a fazer algo que sua consciência condenava, foi assassinado quando os "seguranças" do órgãoo em que trabalhava, contratados para lhe dar um susto, "exageraram" na dose e mataram-no de pancada.
Poderia dizer que hoje foi um bom dia, mas estas coisas que parecem se repetir sempre, a barbárie, a impunidade, me angustiam...

domingo, janeiro 28, 2007

Sozinho com o mar



Gostei muito desta foto que o meu filho tirou, no Rio Vermelho, para a aula de fotografia da faculdade.
O homem sozinho sobre a pedra passa segurança. E auto-dominio.
Eu teria coragem de ficar sobre uma rocha no meio do mar?
Não. Não sou páreo para as águas..........

sexta-feira, janeiro 26, 2007

"Probremática" é a educação no Brasil

Nunca tive muito saco para esses pagodes que assolam Salvador e que retratam o que a cidade, como o país de modo geral, tem de pior. A falta de educação básica das camadas mais pobres da população.
Não se pode negar o swing e o talento musical dos baianos, mas a letra das músicas não é só um acinte ao bom gosto, mas uma razão para nos envergonharmos.
Um dos hits deste verão baiano é uma nova banda, cujo nome não me lembro, nem me interessa e que tem como carro chefe um pagode cujo refrão principal é “ela é probremática”. “Probremática” sim, com o rê no lugar do lê.
Quando a gente ouve pessoas falando errado, ou cantando com erros de português é revoltante. Gravação num CD então é de matar de raiva. Penso que deveria ser caso para processo. Proces-so em defesa da língua, dos nossos ouvidos, das escolas.
Afinal, será que as gravadoras não podem sequer sedar ao trabalho de, ao menos, orientar os 'artistas' e mostrar como se fala corretamente? Banaliza-se a mediocridade, a ignorância, e a falta de respeito com a arte. Os erros e os vícios de linguagem são vistos como normais, populares...E ainda há os que chamam de elitistas os que criticam essa miserabilidade intelectual.
Um colega vendo minha indignação pergunta:”Você não sabe que aqui na Bahia quanto pior , melhor?”
“Daqui a pouco eles estão no programa de Faustão com aquele auditório debilóides gritando também ela é probremática”....
É bem possível. É só lembrar da boquinha da garrafa e de outras “pérolas” do pagode da Bahia.
Bororó, bororó.... Bororó, bororó...

sábado, janeiro 20, 2007

Sem tolerância


foto: Hieros Vasconcelos
Aieska, educadora e amiga, me mandou uma ressalva: o seqüestro de nossa colega jornalista durou três horas e felizmente ela saiu sem um arranhão.
Fico feliz por isso, mas continuo em um quase pânico insidioso.
A insegurança não deixa margem à tolerância.
Salvador não merece isso. O povo baiano não merece isso, e os próprios criminosos poderiam ter uma vida decente.
O que será que podemos fazer, de fato, efetivamente, com resultados concretos?

domingo, janeiro 14, 2007

Salvar Salvador!


“A liberdade consiste em saber que a liberdade está em perigo”.
Emannuel Lévinas



Duas amigas assaltadas esta semana.
Uma, médica, voltava para casa após um dia de trabalho e ao parar numa sinaleira naorla da Pituba às 22 h, foi surpreeendida ao ter o vridro do seu carro quebrado por um marginal que pegou a sua bolsa e fugiu.
Com a outra, jornalista, foi pior. Vítima de um seqüestro relâmpago, foi deixada de madrugada na região das Ubaranas, também na Pituba, após ficar no porta-malas do carro por 5 h rodando com os bandidos. Antes de tomar tino da situação e pedir ajudar, foi abordada por outros assaltantes que a esmurraram e fugiram com a sua bolsa.
Que já estava vazia.
Estamos vivendo uma situação de barbárie. Não existe mais uma cidade grande no Brasil onde se possa viver com tranqüilidade.
Falta segurança. Falta punição. Falta prevenção.
Quando os ladrões são crianças ou adolescentes os policiais não se dão ao trabalho nem de ouvir as queixas. Não adianta ter o trabalho de pegá-los para serem soltos em seguida.
As leis brasileiras não são feitas para o Brasil. São feitas para um país utópico qu está bem longe de ser o nosso. São leis humanas, bonitas, mas inúteis e inviáveis.
Lei é para ser respeitada e usada. E não para o Primeiro Mundo ler.
Principalmente porque o pessoal do Primeiro Mundo é esperto e faz leis adequadas à sua realidade.
È preciso buscar uma solução urgente para a insegurança na Bahia, no Rio, no país.
Soluções de ordem prática e que atinjam várias frentes: policial, da Justiça e social.
Chega de continuarmos reféns da inoperância, do proselitismo, da incompetência, e da sorte!
Me dói muito ver Salvador entregue à bandidagem.

sábado, dezembro 23, 2006

A Missa do Galo

O Natal me lembra a Missa do Galo e uma das maiores decepções da minha infância.
Por muito tempo desejei poder ir à missa, que naquela época era sempre à meia-noite.
Minha mãe vinha de uma família batista e seu avô, meu bisavô, foi um dos primeiros, se não o primeiro, pastor batista brasileiro.
Mas, a Igreja Católica sempre exerceu um fascínio sobre mim com seus altares maravilhosos, anjos, e santos dramáticos em rituais de êxtase e sangue.
Eu devia ter entre seis e sete anos quando esse dia chegou. Eu iria à missa com minha avó paterna e madrinha, uma católica praticante. Lembro da ansiedade que senti, e o esforço que fiz para me manter acordada. Minhas tias se preparavam animadas e eu olhava encantada para o véu de renda que elas levavam na cabeça.
A missa transcorreu normalmente, com cânticos, incensos, e palavras em latim.
Quando acabou, virei para minha avó e perguntei me sentindo lesada: “ e o galo? cadê o galo”? “porque ele não veio?”
Na minha imaginação, o galo seria a parte especial da celebração, e deveria permanecer em cima do altar enquanto o padre celebrasse a missa.
Minha avó explicou que a missa do galo se chamava assim porque era realizada nas primeiras horas da madrugada. Fiquei terrivelmente desiludida.
Mais tarde me disseram que Papai Noel não existia. Como não? Eu tinha rezado pedindo a ele uma correntinha de ouro e recebi uma exatamente igual a que eu queria.
E não havia contado meu pedido pra ninguém...
Papai Noel existia sim. E até hoje , quando chega o Natal, eu sempre penso que ele está por aí para realizar todos os nossos sonhos e desejos..
E quem sabe esteja mesmo.
Que todos nós possamos ter nossos anseios realizados.
E que Papai Noel traga paz, prosperidade e harmonia para o mundo inteiro.
Chega de guerra e de pobreza. Luxo para todos.
Feliz Natal e um ótimo 2007 para todo o planeta.
E para nós especialmente.


quarta-feira, dezembro 13, 2006

Para alguém de quem gosto muito

Não se pode , nem se deve, viver a vida dos outros. A nossa própria vida pode ser a melhor possível. Nosso tempo é só nosso, não está conectado à vida ou à história de mais ninguém.É preciso escrever nossa história sem antecipações, sem pular degraus. Só assim se chega completo onde se tem que chegar.

terça-feira, dezembro 12, 2006

"Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber
o que significa
o que está escrito".

Walt Whitman

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Léozinho






Léo teve alta ontem, após mais duas semanas no hospital.
Há dois anos, descobriu-se que ele tinha leucemia e foi iniciada uma luta para a recuperação da sua saúde e para encontrar uma medula compatível com a dele.
Um menino forte, determinado e corajoso. Durante o período em que passou, entrando e saindo no Hospital São Rafael, onde realizava o seu tratamento comandado pela eficiente equipe do doutor Fernando Araújo, Léo não reclamou das quatro cirurgias que teve que fazer para tirar e colocar cateteres (será assim que se escreve?), não reclamou das centenas de agulhadas que tomou, da quimioterapia, dos antibióticos, nem das dores que sentia. Aceitava tudo com estoicismo e acompanhava o seu tratamento cuidadosamente a ponto de ligar para a enfermaria para saber quando as plaquetas que teria que receber iriam chegar, lembrar os horários dos remédios que teria que tomar, e coisas assim.
Só reclamou dos dias que passou na UTI e, às vezes, da comida.
Fora isso, estava tudo dentro do que estava disposto a suportar. Ficou amigo dos médicos, das enfermeiras, das auxiliares, e do pessoal da copa para onde ligava de vez em quando para pedir um sorvete, um cafezinho, um Nescau. Enfim algo que estivesse com vontade de comer. Comia muito para fortalecer seu sistema imunológico e entre seus passatempos preferidos estava o sjogos no lap top, o desenho de Bob Esponja na TV e os passeios de madrugada pelos corredores do hospital puxando consigo toda a parafernália de rodinhas com o soro de onde saía o remédio que ia para o seu organismo. No ano que vem, iria cursar a faculdade de engenharia elétrica no Cefet.
Seus últimos exames mostravam uma medula limpa e os médicos estavam confiantes.
Mas seu ciclo já estava encerrado. Léo partiu na madrugada de domingo levado por uma parada respiratória. Uma partida sentida por todos seus amigos e familiares. E claro, por mim, sua tia.
Um menino de 21 anos com uma inteligência brilhante e um coração de... menino.
Estamos todos tristes e muito orgulhosos de sua capacidade de combate, de seu bom humor, e de sua confiança no futuro. Estamos gratos por tê-lo conhecido e de que ele tenha feito (e fará sempre) parte de nossa família.
Gostaria de poder dizer a ele obrigado Léo, por tudo que nos deu, pelo seu sorriso, pelo seu carinho, e até pela sua teimosia.
Você cumpriu seu ciclo da melhor maneira possível. Tenho certeza que foi aprovado com louvor. E tenho certeza também que estará bem onde estiver.Teremos saudades e o consolo de saber está em paz. Como seu pai escreveu num cartão de dedicatória junto às flores : Fique em paz querido. Não se preocupe conosco.Teremos saudades.

terça-feira, novembro 28, 2006

Rio Vermelho



Êta Rio Vermelho para ter maluco, mendigo, bêbado, menino de rua, cachorro perdido e ladrão.
Bairro boêmio e histórico de Salvador, foi no Rio Vermelho que Jorge Amado viveu grande parte da sua vida até morrer em 2001, e é onde moram ainda hoje celebridades como Gal Costa, Carlinhos Brown e outros artistas de diversas matizes menos conhecidos e alguns até obscuros.
Lugar bom de se viver, fora o confronto cotidiano com a realidade dura da pobreza e da miséria que quebram a aura de poesia e de magia(rima sem intencionalidade) que envolvem o bairro.
Hoje eu vi Lucas, como diz que se chama um menino de rua que perambulava pelo bairro, dormindo a sono solto na calçada de uma casa, tranqüilo como se estivesse na segurança de um lar. Fazia meses que eu não o via, tinha sumido, e cheguei a pensar que tivesse voltado para Sergipe de onde disse ter vindo para trabalhar e ajudar a mãe. Não sei se é verdade. Quando o conheci, ele estava dormindo na frente do meu prédio tendo uma caixa de engraxate como travesseiro. Dei comida, uma camiseta e uma sandália. Ele se ofereceu para engraxar meus sapatos quando eu quisesse. De graça. Eu disse que faria isso quando precisasse.
Cheguei a procurar um órgão da prefeitura para que o encaminhasse de volta para a sua terra. Não deu certo. Era mais uma dessas instituições sem estrutura que existem para dar emprego a pessoas que, na maioria das vezes, não estão a fim de trabalhar.
Notei que ele tinha crescido, o cabelo estava mais curto, mas continuava sujo como sempre e com a impressionante capacidade de dormir em qualquer lugar: no chão quente, debaixo do sol.
Meu Deus, vou ter que ficar vendo Lucas de novo, com fome, sujo, dormindo nas calçadas. Que praga.
Como se não bastasse, tem também um cachorrinho preto, poodle, que fugiu de casa, ou foi abandonado, e anda prá cima e prá baixo na rua Alagoinhas. Não quero nem olhar. Tenho medo de acabar recolhendo-o e levando-o para casa, como duas das minhas irmãs que recolhem cachorros e gatos abandonados pelas ruas. Acho isso uma maluquice, e tenho medo que seja genético. Tenho mais medo ainda de recolher gente. Se por acaso eu quiser fazer isso, pelo amor de Deus me internem.
Tem o velho uruguaio, que se diz um ex-tupamaro, e vive pedindo dinheiro nas sinaleiras. Esse também dorme nas calçadas duras, sem nem uma folha de jornal embaixo. Outro dia, pivetes o apedrejaram e ele foi levado de táxi para o pronto socorro por uma vizinha minha de bom coração. Ela até arrecadou dinheiro para que ele pudesse alugar um barraco. Não adiantou. Os vagabundos da área o expulsaram e ele logo estava de novo nas ruas.
O menino, o uruguaio , e o cão, são alguns dos inúmeros personagens desprotegidos que vivem pelo bairro. Bairro que também abriga alguns dos melhores e mais caros hotéis da cidade, bares da moda, lojas, restaurantes e antiquários. Rio Vermelho onde Caramuru veio parar após naufrágio de um barco português. Rio Vermelho da festa de Iemanjá no dia dois de fevereiro. Rio Vermelho de calçadas quebradas, bocas de lobo entupidas e poças de água suja...
É muito estresse!

quarta-feira, novembro 22, 2006

O placebo

Não me considero uma pessoa sugestionável e costumo ler com um certo desinteresse e descrença, revistas com matérias que falam sobre o poder da mente sobre o corpo. É um dos meus paradoxos.
Esta semana passei por uma pequena surpresa que me levou a refletir sobre a reali-dade dessa teoria. Estava procurando um livro na minha estante, quando caiu um frasco do remédio que uso para a sinusite diagnosticada pelo otorrino; diagnóstico que me deixou com dúvidas. Acho que tenho apenas rinite.
Em todo caso, costumo aplicar as duas gotas nas narinas sempre que estou um pouco entupida, com dor de cabeça ou de ouvido.
Ao pegar o frasco que caiu, ele me pareceu cheio. Estranhei, pois tinha passado a semana anterior fazendo a tal aplicação até me sentir curada. Retirei a tampa e, per-plexa, constatei que o frasco não tinha furo. Então, o que aplicava eu nas narinas quando apertava o frasco? Nada. Nem ar.
“Quer dizer então que apliquei gotas de nada no nariz, e fiquei boa somente por achar que estava me medicando”?
A vida é realmente uma surpresa..........

terça-feira, novembro 14, 2006

Odores


Ando sem poesia.
O cotidiano me toma todo
o tempo
como um quebra-cabeças
que nunca
acabo de montar.
Meus sentidos ficam alertas
à noite
quando passo em minha rua
e sinto cheiro de plantas que
não sei o nome,
de rosas e de jasmins...

segunda-feira, novembro 06, 2006

Melhor idade para quê?

Não existe nada mais ridículo do que tachar de "Melhor Idade" o período de vida das pessoas que começa a partir dos 60 anos(ou será 65?).
Concordo com uma atriz, se não me engano a Tônia Carrero, que disse que MELHOR IDADE só se for para morrer.
Ora, vamos respeitar a inteligência das pessoas. Não que os 60, como 70, ou 80 sejam idades que não devam ser valorizadas.É verdade que não é agradável ver o corpo ir se transmutando, a pele ficando mais seca, o peito se dobrando à lei da gravidade, os cabelos ficando brancos....
Mas, isso faz parte da vida.
Quando éramos crianças sonhávamos em crescer logo, nos tornar adultos, ter mais autonomia e liberdade. Depois, a gente descobre que ser criança era bom; que ser adolescente também -apesar das crises existenciais, da sensação de inadequação, e de injustiça do mundo em relação a nós; a idade adulta traz problemas, mas também traz soluções. E tudo- a não ser subir escadas correndo, perder noite em bares ,ou discotecas- parece mais fácil.
Estou escrevendo sobre isso porque, embora não esteja fascinada pela passagem do tempo, também não estou com medo dele (é claro que se pudesse me conservar em formol, eu o faria; mas não posso). Que venha o tempo com todas as suas perdas e os seus acréscimos.
Essa reflexão superficial me surgiu, lembrando de um caso contado por minha tia Beré, que tem uns 60 e alguns anos de idade, e aparenta uns 10 a menos. Ela estava na fila de idosos em um banco, quando um rapaz se sentiu incomodado e bateu no seu ombro avisando :"Minha senhora, esta fila é para idosos; ela cordialmente mostrou para ele a identidade que lhe dava o direito de estar naquela fila.
E ele, sem graça: "Desculpe senhora; eu só a tinha visto de costas".
Minha tia caiu na risada (as mulheres de minha família- com exceção de mim de vez em quando- têm bom humor) , e respondeu para desconforto do rapaz e deleite do público: "É bom saber meu filho. Eu agora só vou andar de costas"....

xxxxxxxxxxxx
Obs. Na verdade estou chateada. A melhor amiga da minha mãe, que conheço desde menina, morreu ontem. Na rua, um homem me chamou de “Coroa metida”. CORÔAAA????? EU?

quinta-feira, outubro 26, 2006

Tinha um trio elétrico no meio do caminho

Domingo cinzento e chuvoso, me dirijo ao jornal para cumprir minhas obrigações dominicais, quando me deparo com um engarrafamento 'monstro' na Cardeal da Silva, uma avenida estreita de mão dupla, onde mal dá para passar um carro de cada lado, com o agravante de que lá funcionam duas faculdades. É claro que a palavra engarrafamento na Bahia tem um significado diferente do de São Paulo, onde a palavra em si significa um nível se sacrifício e estresse intolerável. Mas aqui ninguém tem saco para passar mais de meia hora preso no trânsito. Normalmente, no horários de rush a Cardeal da Silva é um inferno, com os estudantes chegando e saindo para as aulas. O inusitado é que aos domingos, dia de folga, a avenida fica livre e o fluxo de veículos transcorre como num “céu de brigadeiro”.
Eu estava em um ônibus quase vazio, com um motorista tirado a engraçado que fazia observações gaiatas a todo momento.De repente, ele diz: “olha é um trio elétrico”...
Ninguém leva a sério; ele faz uma manobra e coloca o ônibus numa posição em que todos podem ver o veículo na frente. De fato, é um trio elétrico. Tocando, e com umas 50 pessoas agasalhadas pulando atrás, com sobrinhas e guarda-chuvas nas mãos...
Não dá para acreditar, penso perplexa. É por isso que às vezes me irrita morar em Salvador. É muita animação por tudo e o tempo todo.
E eu neste resgate cármico que parece interminável ( é, às vezes, eu reclamo de ter que andar de ônibus em Salvador).
E o trio vai rodando em ritmo lento, sob a chuva, enquanto carros e ônibus seguem pacientemente atrás. “Acho que é coisa dos evangélicos”, diz uma senhora. Uma outra retruca: “Não. Acho que é uma festa dos católicos que estava marcada para hoje”.
Não se faz mais religiosos como antigamente, penso intrigada com a força da massa.
Tento sugerir ao condutor que dispare a buzina do ônibus, com a esperança de que os outros motoristas chateados promovam um buzinaço.

Mas que nada. Ele está super zen. Conversa com o cobrador e com os passageiros e torce para que o trio desça para a Vasco da Gama, o que depois de 40m de chateação, acaba acontecendo, para alívio de todos.
Depois que saí do sufoco e minha raiva passou achei engraçado. Só faltou padre Marcelo, ou o 'bispo' Edir Macedo, com os braços para cima de um lado para o outro em cima do trio.
Debaixo de um toldo, é claro. Afinal, chovia.
Na verdade, admito: foi hilário...

quinta-feira, outubro 12, 2006

Muito barulho por muito pouco...

Li hoje na Internet que Jackson Inácio da Silva, um dos 15 irmãos vivos de Lula, anunciou que vai votar am Alckmin no segundo turno. Pensei: coisa de irmãos, ciúmes...
Mas, não. Jackson que é operário e se diz militante do PT explicou que é contra a reeleição e se disse envergonhado pelos escândalos do partido. Disse também achar o Bolsa-Família uma ver-gonha para qualquer governo: “O povo não quer esmolas, quer trabalho, casa para viver, escova de dentes. Não apenas arroz e feijão”.
Lúcido. Honesto. Desapaixonado, não sei. Afinal, política é paixão. Até eu, que nunca fui ligada a partidos ou fiz política partidária, e sempre me senti livre, como me sinto, para pensar o que eu quiser e votar em que tiver vontade, me sinto envolvida pelo clima. E sei que não vale a pena. Desapaixonadamente falando, o mais provável é que todos nós nos decepcionemos. Pelo menos aqueles que ainda são capazes de ser leais a si mesmos e às suas convicções. Em uma coisa ou outra.
Não vou mais falar em política neste blog. Não tenho a pretensão de fazer a cabeça de ninguém, nem de ser dona da verdade. Sou dona da minha verdade, que hoje é esta: acho Alckmin mais preparado. E melhor: não é do PT, esse partido que brincou e menosprezou com o seu discurso de honestidade e de ética a inteligência e a esperança dos brasileiros.
De qualquer forma, vença quem vencer, sairemos ganhando porque podemos escolher, podemos decidir, podemos acertar ou errar. E que continue assim.
Acho que sairemos ganhandoporque sou também otimista. Acho que a gente sempre está apren-dendo com os erros e os acertos, com as coisas boas e as coisas ruins. É só tentar enxergar. E como diz Salomão “há um tempo certo para tudo”.
Então, seja qual for o resultado estaremos bem.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Não é que eu não tenha dúvidas.
Eu as tenho.
Sem endeusar ou demonificar ninguém, sem mitos , nem mentiras,
eu gostaria de poder pensar desapaixonadamente e
concluir sobre o que será melhor para o Brasil no momento:
O que será?
A demagogia, os sofismas, e o fanatismo
me enchem o saco.

quarta-feira, outubro 04, 2006

O PT venceu na
Bahia e eu cheguei
à sábia conclusão
de que para alguns,
a opção por Lula,
virou uma espécie
de religião.
Questão de fé.
E credo,
não se discute.
Credo.
Eu botaria minhas
barbas de molho,
se as tivesse.
Sinto cheiro da
Santa Inquisição....

terça-feira, setembro 26, 2006

Por que enganar a nós mesmos?
O santo tem pés de barro,
está claro,
e é bom que quebre.
Para que acreditar em mentiras?
Só para acreditar?
Acreditar para acreditar?
Acreditar por acreditar?
Que sentido faz?
A fé cega é,
como diria Milton,
faca amolada.

sábado, setembro 23, 2006



"Siga o conselho do seu próprio coração,
porque mais do que este
ninguém será fiel a você.
A alma do Homem

freqüentemente o avisa
melhor do que sete sentinelas
colocadas em lugar alto".
Eclesiástico, 37.13

quinta-feira, setembro 14, 2006

Frederico

Se eu disser que Nietzsche me enriquece, os que o conhecem vão achar normal; se eu disser que ele também me diverte podem não achar tão normal assim. ..
Enfim, ele me diverte: talvez pela objetividade com que escreve seus aforismos e pela ausência de falsa piedade para com o ser humano.
Às vêzes me pego rindo lendo alguma coisa dele, ou sobre ele.
Que homem encantador ! Que homem insuportável!
Os gênios podem ser o que bem entenderem....
E ele era gênio, embora me constranja que tivesse as mulheres em tão baixa conta.
Talvez tivesse medo de nós. Talvez tivesse razão.
O medo explica um monte de fantasmas.
Esse preâmbulo todo foi apenas para citar uma sentença dele que eu adoro, como adoro sorvete com calda de caramelo :
"O que não me mata me fortalece".
Bárbaro, não ?

sexta-feira, setembro 01, 2006

Lembranças de sóis

fotos : Stela Alves

Andar na praia
numa manhã de sol
me dá a certeza:
é um privilégio
estar aqui
agora.
Não estou de férias,
não estou doente,
não me aposentei.
Trabalho à noite

e tenho o dia livre.
Posso usá-lo

como quiser.
O dinheiro é curto,
mas o malabarismo
também
tem a sua graça...
Minha pele está
manchada pelo
excesso do sol
no tempo em
que filtro solar
era coisa
de gringos.
Preferia não
tê-las
(as manchas),
mas pagaria o
preço mil vezes
para ter todo
o sol que tive.

quarta-feira, agosto 30, 2006

O que estou fazendo se não gosto que seja assim?

Salvador seria uma cidade muito chata se os negros não tivessem vindo.
Eles trouxeram para nós a força espiritual, a alegria, o encanto com a vida.
Vieram para transformar e transformarem–se nessa simbiose étnica, cultural
e religiosa que é o povo da Bahia.
Penso nisso enquanto caminho na praia e vejo dois homens jovens, negros,
bonitos, treinando capoeira. Flexíveis, ágeis, gatos.
Não estou justificando a escravidão, embora, todos saibamos que era
um costume africano, e de outros povos mais antigos, vender inimigos
e os derrotados numa guerra. E escravizá-los.
O pior obstáculo para os negros ainda hoje, na minha opinião, e posso estar enganada,
ou não estar, é a aceitação da vitimização. A vítima aceita que foi vítima e não consegue deixar de sê-lo.
Se sente inferiorizada ao aceitar que é vítima e ao não assumir a responsabilidade que lhe
cabe por ser ou estar em determinada situação. Penso que a luta contra os algozes
não comporta o ódio. O ódio limita a visão. Minimiza o espírito. Aprisiona o intelecto.
Penso que devemos ter apenas o desprezo por pessoas que continuam pequenas apesar do tempo, da evolução científica, cultural, do acesso à Educação.
Mas não deixemos que o que pensam, dizem, ou fazem decidam pelo que somos e pelo que podemos ser.
Acho que ficar apenas, eu estou dizendo apenas, apenas, reclamando e ressaltando a dor do preconceito e da discriminação não conscientiza. Recondiciona.
Torna as pessoas mais sensíveis e inteligentes pressurosas em serem politicamente corretas. Afinal, o preconceito é burro e é medroso. As pessoas instruídas sabem disso.
Para mim, o politicamente correto é a mudança. Mudança porque tem que se mudar.
Mudar porque é preciso mudar o que é injusto, o que não está certo.
Mudar porque é um direito. E o direito deve ser usado se pisando, e rindo, em quem nos atrapalha o caminho.
Para poder se afirmar é preciso a não negação. O que é, é.
Sim, também tenho meus preconceitos. Ou conceitos.
Vou mudar o que não gosto. Dentro do que me fôr possível. Agora. Mais tarde verei o que pode e precisa ser feito...

segunda-feira, agosto 28, 2006

Em defesa do açúcar

A capa da revista Veja desta semana é um libelo contra o açúcar.
Fico indignada com os ataques a esse condimento que dá gosto a vida.
Viva os olhos de sogra, brigadeiro, pundins, pavês, sorvetes, os trans etc, etc, etc
Graças a eles aguentei estóicamente a obrigação de frequentar aniversários de crianças, quando meu filho era pequeno.
Ter que aguentar aniversário de crianças - cujas mães, pais, e os outros convidados você não conhece- para levar o filho que é o convidado, é uma das maiores provas de amor que existe.
E os filhos não reconhecem este sacrifício.
Às vezes fico pensando que só os doces podem salvar o planeta....
E nos livrar do tédio.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Resenha do general

Está saindo em Cuba um livro que reúne os discursos de Fidel Castro, entre 1959 e 2005, sobre a mulher e o processo revolucionário.
Considerando-se que cada discurso de Fidel leva uma média de 5h, quem será que se dispõe a ler um livro desses?
Não creio que exista uma mulher em juízo perfeito que se arvore a um empreendimento desse tipo. A não ser que goste de se auto-flagelar....
O que será que o general tem a dizer sobre a libertação da mulher num lugar onde a liberdade começa e termina onde ele determina?
Eu vou ficar sem saber.
Graças a Deus.

sexta-feira, agosto 18, 2006

O foguetório...

Vivendo em Salvador a gente se acostuma com todo tipo de barulho.
Afinal, o povo adora festejar. Festeja-se tudo. Até a derrota..
Quando o Brasil perdeu da França, na Copa, foi um tal de foguetório que um amigo comentou: “Nunca pensei que tivesse tanto francês na Bahia”. Não tem.
Na minha opinião, o povo detesta desperdiçar dinheiro. E como provavelmente comprou muitos fogos confiante na vitória do Brasil, o foguetório serviu, ao menos, para extravasar a decepção e a raiva. E para não ficar com sensação de prejuízo.
Festejar a vitória da França foi uma espécie de vaia para nossa seleção.
Pois é. Nas festas sacras tem foguetório. Nas pagãs também.
Numa segunda-feira à noite peguei um ônibus com o trajeto errado. Percebi que estava errado quando notei que ele estava fazendo muitas voltas. Não fiquei estressada porque, embora fosse demorar mais, no final ele ia acabar passando perto de onde eu teria que ficar.
Ruas estreitas, casas pobres, reconheci o lugar: Vale das Muriçocas... .
Passava o tempo lendo uma revista, quando ouvi um foguetório, e os gritos de uma mulher na rua me chamaram a atenção. Não me espantei. A surpresa veio quando meu olhar se voltou para dentro do ônibus: estava todo mundo deitado no chão. Não era foguetório, era tiroteio.
Me abaixei também, enquanto os passageiros gritavam para o motorista que parou o veículo: “Se adianta cara, sai daqui; parou por que”?
O motorista obedeceu e colocou o ônibus em funcionamento saindo da área de tiro. Poucos metros adiante as pessoas andavam e conversavam naturalmente, como se nada houvesse acontecido. Quem ouviu o barulho também deve ter pensado que eram foguetes.
“Como é fácil morrer”, comentou um amigo a quem narrei a história. “Você podia ter levado um tiro e morrido sem nem perceber”.
“É mesmo”, concordei assustada... Alguém vai passando leva uma bala, acorda em outro lugar e não sabe o que aconteceu: “Onde estou, que lugar é esse, que estou fazendo aqui ?”
Não gostei nem de pensar. Sei que é ser muito conservadora, mas torço para morrer numa situação de normalidade: velha e na cama de um hospital, com tudo arrumado, contas pagas, inclusive o enterro.
Será que estou sendo mórbida? Por que as pessoas não gostam de falar sobre uma coisa que vai acontecer fatalmente um dia???
O que me incomoda é a possibilidade da surpresa!

sexta-feira, agosto 11, 2006

A fé de
quem acredita
é igual a de
quem
não crê.

O crente e o ateu
defendem a sua
crença,
ou não crença,
com o mesmo ardor.

domingo, agosto 06, 2006

Amigas devem ser para sempre....

Essa tal virose que pegou muita gente em Salvador me pegou também. Com o nariz entupido e uma tosse seca irritante lá vou eu a um pneumologista para descobrir que ele me receitaria os mesmos medicamentos que eu já estava tomando por conta própria.
O médico me pediu, não sei porquê, um Raio X da face e dos pulmões. Passei numa clínica com disposição zero para esperar: se tivesse pouca gente eu faria os exames, senão iria embora. Tinha quatro pessoas na minha frente e é claro não esperei. Já fiz o meu diagnóstico: sinusite; a maldita sinusite.
Ao sair reparei numa mulher, encostada num carro, aspirando um cigarro com evidente prazer. “ Ótimo lugar para fumar. Bem em frente a uma clínica de pneumologia”, pensei com o rancor exacerbado dos ex-fumantes.
Ao prestar atenção na mulher, concluí que o fato não era tão inusitado assim. Afinal, a pessoa em questão era uma amiga com um talento notório para o inconvencional: Dóris, que a tempos eu não via. Ela foi à clínica para fazer um check-up. Quanto ao cigarro, qual o problema? Nenhum mesmo.
O papo esticou, filhos, amigos, trabalho e ela , como sempre que nos encontramos, lembrou de uma amiga comum que morreu de câncer há dois anos. E começamos a falar sobre Lúcia, criatura viva e inteligente que ignorou conscientemente um caroço que crescia em seu seio. Dóris guarda alguns dos melhores momentos compartilhados com Lúcia, que adora lembrar, e que chama de pérolas.
Uma das preferidas se passou num dias das mães da década passada, quando tínhamos como rotina nos encontrar nos fins de semana, ir à praia, e acabar comendo em algum barzinho perto do mar.
Antes de sair, Lúcia resolveu ir a uma floricultura diante de casa, no bairro da Graça, se desincumbir de uma obrigação: comprar flores para que o casal de filhos levassem para a avó, mãe do ex-marido.
Separou duas dúzias de rosas e mandou a moça fazer dois bouquets (ainda se usa essa palavra?) . Depois, perguntou o preço. A garota respondeu e ela pensativa .”Acho que é melhor fazer só meio bouquet prá cada um. E depois do novo pedido, novamente mudou de idéia.”Moça faça dois cartuchos com um arranjozinho . É suficiente”.
E voltando-se para Dóris, falou categoricamente: “Ex-sogra é investimento perdido” .
Rimos com a lembrança. Costumamos gargalhar quando lembramos dela nos jogos de buraco, que ainda fazemos de vez em quando. Seus palavrões, seu falso mau humor, sua irreverência. Ela está presente toda vez em que nos encontramos . Acredito, sinceramente, que ela deve estar bem onde estiver. E que também se lembra de nós.

domingo, julho 30, 2006

Resgate Cármico II



No processo de resgate cármico no qual me encontro, que é o de depender do sistema de transporte coletivo de Salvador, acontecem umas coisas que posso dizer, com um misto de vergonha e espanto, me encantam e me divertem. Estas coisas, obviamente, tem a ver com o povo baiano. Eu admiro esse povo pelo seu desprendimento, capacidade de adaptação, coragem, otimismo, bom humor, e uma certa cara de pau. Gosto e muito de fazer parte dele (exceto pela mania que algumas pessoas têm de colocar som alto e obrigar a vizinhança a compartilhar o mau gosto com eles . Sim, porque só bota som alto quem tem mau-gosto).
Hoje, tive que tomar dois ônibus para fazer um trajeto que faria normalmente em 20 minutos se estivesse de carro. Mas carma é carma e não tinha uma linha de busu, como são chamados pelos estudantes, que me levasse direto para o meu destino.
Isso tudo é só para contar que durante a viagementraram cinco ambulantes: três baleiros, uma vendedora de sachê, e um vendedor de canetas. Discursos na ponta da língua, clareza e objetividade, eles foram ótimos. Apesar dos meus triglicérides altos comprei umas balas bem doces, porque de amargo bastam os problemas da vida, e também para dar uma força ao vendedor que entrou bem arrumado, de calça e camisa social, sapatos e meias, com três sacos de balas nas mãos. Achei que ele era muito caprichoso e mereceia estar empregado numa loja legal.
Depois dele, entraram outros dois vendendo a mesma marca de bala, com mais variedade, porém menos estilo.
A moça do sachê, cabelos presos com presilhas, vestida com simplicidade, mas decentemente, fez um discurso simpático e no final, agradecendo com um sorriso, desejou a todos uma boa viagem. "Daria uma excelente aeromoça", pensei com meus botõezinhos de madrepérola.
Quase o ônibus inteiro comprou o sachê que ela oferecia a R$0,30.
Pensei em como o baiano gosta de cheirar bem. Deve ser herança dos nossos antepassados indígenas e africanos. Os índios não podiam ver água, e os africanos adoravam cheirar bem, tanto que trouxeram para nós os banhos de cheiro, feitos com plantas aromáticas.
Por último entrou o vendedor de caneta, com um olho vazado e riso gaiato. Anunciou suas canetas do Canadá, de três cores, prometeu dois meses de garantia, a quem o achasse se a caneta falhasse, e contou o caso de uma vizinha que comprou por R$1 uma caneta diferente da sua. “Ela colocou a caneta na bolsa, a caneta explodiu, acabou com os documentos, carteira de identidade, e com o celular. Era uma caneta do Iraque e ela não sabia”, informou.
Não segurei o riso, e ele me olhou agradecido já que ninguém parecia ter entendido a piada.
Bom, essa entrada de ambulantes em ônibus é normal. A depender do trajeto entram até uns 10. Haja resgate cármico nesse trabalho de resultado incerto .
E assim, eu acabei lembrando que o presidente Lula prometeu criar 10 milhões de empregos nesse seu mandato que já está acabando. Será que ele conta como emprego essa atividade dos nossos ambulantes?
Pensei em perguntar a minhas amigas Kátia e Mariinha, que se recusam a conversar comigo sobre o PT , com o argumento de que devemos manter incólume nossa velha amizade.
Ta bom. É melhor mesmo não falar sobe o tema.
Afinal, Lula passará. ..
Daqui a uns 20 anos a gente conversa sobre o assunto.
Se Deus quiser.

sexta-feira, julho 28, 2006

Êee boi..........

Seguir com a manada
pode ser seguro
e até divertido...
Mas, prefiro o
desconforto
a correr o
risco
de me
confundir,
e ser confundida,
com manchas,
chifres
e tetas....

quinta-feira, julho 20, 2006

Safári Urbano

Segundo Sartre, filósofo francês que fez a cabeça de milhares de jovens brasileiros nas décadas de 60, 70e 80 do século XX e que ainda hoje ainda é o preferido de muitos daqueles que compartilham de sua forma original de ver o mundo, o homem deve fazer uma opção sempre que a sociedade, a política, a educação e os hábitos adquiridos o coloquem numa encruzilhada de múltiplos caminhos. O ser humano, pode escolher entre ser covarde ou corajoso, cúmplice ou denunciador de crimes, acomodar-se a uma determinada situação, ou aceitar ou combater determinada realidade. De qualquer maneira deve afirmar-se nesta ou naquela situação e assumir a responsabilidade da opção, atuando e participando, mesmo que esta escolha se torne inquietante e incomoda.
Estou pensando em Sartre desde que assisti no noticiário da TV a apresentação dos assassinos do economista Victor Athayde Couto Filho, um jovem e talentoso intelectual morto por pessoas que trabalhavam e tinham trânsito livre no condomínio onde morava. A cara dos criminosos me causou repugnância e sentimento de perplexidade. Que espécies de pessoas eram aquelas? Gente? Não. Bichos.
Bichos na mais verdadeira expressão da palavra. Simplórios, idiotas, pareciam não ter consciência do ato que cometeram enm das suas conseqüências. O mentor do crime, Abelha, misto de pedreiro e cantor de Arrocha, teve o cinismo de se fazer de vítima e dizer que matou o economista por ele estar lhe cobrando um trabalho pago e não executado. Sem entrar no mérito moral do crime que chocou Salvador, me revolve o estômago o estágio mental e intelectual dessas criaturas miseráveis, semi-analfabetas, e de uma inteligência tão rudimentar que assusta. Para criaturas assim, ter um carro e uma boa casa é sinônimo de ser rico, de ser ‘barão’. E como bichos que são, agem pelo instinto. José Raimundo Abelha mostrou que além de amoral e cruel é burro.
Me desculpem , aqueles que acham que todos os pobres são vítimas das circunstâncias. Mas, as mentes simplórias são muito perigosas. Não existe razão, não existem argumentos. O Abelha seqüestra um homem conhecido e respeitado para roubar seus cartões e retirar dinheiro do banco, sai do condomínio no carro desse homem, e mesmo depois que a família divulga o desaparecimento, tenta comprar um celular com os dados do seqüestrado, e é visto pelas câmaras da agência bancária tentando retirar dinheiro com o cartão que não lhe pertence. Na verdade, Abelha e seus cúmplices não deveriam estar na cadeia. Deveriam estar numa jaula. E não me venham os farisaicos com pieguices: “Oh, eles são uns excluídos, coitadinhos, a culpa é da sociedade”...
Concordo. São excluídos e o pior - são nossa gente. Somos eles e eles são nós. E aí, fica nisso?
Simplismo

É óbvio, claramente óbvio, que estou sendo simplista. Mas, sou a favor da teoria conhecida como “a navalha de Ockham”, que com base em tudo o que é feito e dito, neste mundo sem pé nem cabeça, afirma que a resposta mais simples é geralmente a resposta correta. Para mim, está mais que claro. A resposta pula, dança, e faz strip-tease na nossa frente: ou se acaba com a exclusão, dando a todos os que nascem e vivem neste país educação, valores, conceitos, e a perspectiva de uma vida digna ou um dia vamos ter que andar pelas ruas como os visitantes num safári: em carros com grades e guardas armados. Educação, comida e moradia digna são direitos de todos.
Outro dia, na rua em que moro, tinha três bichinhos, digo meninos, dormindo debaixo de uma árvore. Descalços, maltrapilhos, cabelos com piolho, batiam nas portas pedindo comida. Alguém que deve ter se sentido ameaçado (e não totalmente sem razão) chamou a polícia. Os policiais vieram e disseram que não tinham para onde levar os garotos, um dos quais era conhecido arrombador de carros da área.
“Não tenho para onde levar eles, minha senhora. O único lugar onde posso levá-los para que não voltem , é para o cemitério”, disse um deles elegantemente.
Sendo assim, os policiais foram embora, os meninos voltaram a pedir comida, algumas pessoas deram e entraram nas suas casas tranqüilas, consciências lavadas com cloro (eu inclusive).
Os meninos foram para as sinaleiras tentar ganhar uns trocados, roubar alguém se tivessem oportunidade, e depois procurar outro lugar para dormir.... No dia seguinte, os meninos foram para as sinaleiras tentar ganhar uns trocados, roubar alguém se tivessem oportunidade, e depois procurar outro lugar para dormir... E no outro dia seguinte, os meninos foram para as sinaleiras tentar ganhar uns trocados, roubar alguém se tivessem oportunidade, e depois procurar outro lugar para dormir...

domingo, julho 09, 2006

A Copa mexeu comigo....


A Copa do Mundo acabou e eu, como a maioria dos brasileiros, fiquei decepcionada com a nossa seleção de estrelas incapazes de ter uma meta, que não fosse aparecer individualmente e brilhar cada qual mais que a outra.
Não sou técnica, não sou aficionada de futebol, nem coisa e tal, mas tampouco sou surda ou burra, e as coisas que eu ouvi e ouço me fazem pensar.
Que droga de jogadores são os nossos que não têm patriotismo, civismo, senso de dever para com a torcida, e que não dão ao povo ao qual pertencem, e que os venera, o orgulho de vê-los jogar como homens, dar o sangue, suor, o melhor de si?
Que percam quando o outro time jogar melhor, mas que percam com dignidade, com luta.
Me pergunto de que são feitos esses jogadores e eu mesma respondo desesperançosamente: da mesma matéria que a maior parte dos brasileiros, cuja filosofia de vida se resume a levar vantagem. Nem sempre a vantagem legal ou de que possam se orgulhar, mas a “vantagem” que nada mais é que mudar o padrão de vida a custa de métodos pouco honrosos, trapaças, trambiques e enganos.
Soube que muita gente revoltada rasgou a bandeira, a camisa e outros símbolos do país. Me choca a falta de consciência cívica desse povo: o que o Brasil tem a ver com uma seleção que atuou com negligência – só pode ter sido negligência não é? Afinal eles não eram os melhores do mundo... De qualquer forma, eles são nós.
Para a maioria, ser brasileiro é ter carnaval, uma boa seleção de futebol e mulheres sensuais, mesmo que beirem a vulgaridade, eque sejam vistas no exterior como objetos sexuais ou prostitutas. No dia em que esses estereótipos acabarem vai ficar o que?
A miséria, a falta de segurança, a demagogia e o populismo barato.
Estou vendo isso.
Mas como não sou pitonisa nem nada, acho que devemos manter a esperança em um milagre verdadeiro.
Que não seja o prometido pelos pretensos salvadores da pátria que não são capazes de salvar nem a si mesmos da calhordice e da falta de rumo.
O milagre verdadeiro de ver o que realmente se passa e saber que temos direito a mais do que um hexa-campeonato. Temos direito a um futuro sem medo, sem fome, e sem corrupção. Bem no mínimo...........

sábado, julho 01, 2006

Não esquecer..........

" E não te esqueças, meu coração, que as coisas humanas apenas mudanças incertas são".
Arquíloco